Um homem de 21 anos foi preso pela Polícia Civil de Mato Grosso após confessar ter tirado a vida de seu filho de 2 anos em Sorriso (MT). O crime brutal ocorreu na noite da última sexta-feira (2), conforme relatos das autoridades policiais envolvidas na investigação.
De acordo com o depoimento do suspeito, identificado como Rairo Andrey Borges Lemos, ele admitiu ter asfixiado a criança dentro da residência onde morava com o menino e a mãe da criança. A confissão foi formalizada no dia seguinte à ocorrência, no sábado (3).
As investigações preliminares indicam que a motivação do crime estaria relacionada a um profundo sentimento de ciúmes e frustração emocional. Rairo teria agido “movido por ódio” ao visualizar uma fotografia da ex-companheira ao lado de um amigo, fato que teria desencadeado a ação criminosa contra o próprio filho.
Testemunhas que moram nas imediações relataram ter ouvido um barulho intenso e gritos vindos da casa do suspeito momentos antes de vizinhos arrombarem a porta para verificar o que ocorria. Ao entrarem no imóvel, encontraram Rairo e a criança já sem sinais de vida.
Em documentos obtidos pela polícia, Rairo deixou uma carta direcionada à ex-companheira antes de cometer o ato. No texto, ele justificou o ataque sob a alegação de que não suportaria ver a mãe da criança em um novo relacionamento, e fez referências diretas ao filho como “presente de Deus”.
Conforme a narrativa apresentada na carta, o suspeito procurou pedir desculpas e manifestar um amor eterno à ex-parceira, atribuindo a ele próprio a responsabilidade pelo ocorrido. O conteúdo do documento, segundo investigadores, evidencia conflitos emocionais intensos e falta de aceitação pelo término da relação.
Logo após o crime, Rairo tentou tirar a própria vida, mas foi impedido por vizinhos e pela ação rápida de policiais militares que atenderam à ocorrência. Ele foi contido antes de infligir maiores ferimentos a si mesmo.
A criança, identificada como Davi Lucca da Silva Lemos, chegou a ser socorrida pelo pai e levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na sequência dos fatos. Posteriormente, foi transferida ao Hospital Regional da cidade, porém não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Familiares da mãe estiveram no hospital no momento em que a equipe médica confirmou o óbito do menino, gerando grande comoção entre parentes e amigos que acompanharam a transferência da criança.
A delegada responsável pelo caso, Layssa Crisóstomo, informou à imprensa que as circunstâncias do crime configuram, em tese, homicídio qualificado. A acusação inclui motivos fúteis e o agravante de a vítima ser menor de 14 anos, além de o autor ter relação direta de responsabilidade sobre o menor.
Segundo registros oficiais, o casal havia se separado há cerca de duas semanas antes do crime. A mãe da criança havia iniciado um novo relacionamento, fato que teria intensificado o conflito emocional por parte do suspeito, conforme depoimento coletado pela polícia.
Equipes de perícia foram acionadas ao local dos fatos para realizar a coleta de evidências e confirmar as circunstâncias da morte. A análise técnica incluiu imagens, objetos localizados na residência e o conteúdo da carta deixada pelo acusado.
No imóvel do suspeito, agentes encontraram munições de calibre .380, embora nenhuma arma tenha sido localizada até o momento. A presença desses artefatos tem sido analisada como parte das investigações para compreender o estado emocional e possíveis intenções do autor antes do crime.
Autoridades judiciais determinaram que Rairo permaneça sob custódia enquanto os procedimentos legais continuam. Em audiência de custódia realizada no domingo (4), o juiz avaliou as condições de detenção e estabeleceu medidas cautelares.
Organizações de proteção à criança e ao adolescente foram acionadas para prestar apoio à família enlutada e orientar sobre amparo psicológico diante da tragédia. Especialistas destacam que casos de violência doméstica e instabilidade emocional exigem atenção e suporte adequados.
Representantes do serviço social da região enfatizam a importância de mecanismos de prevenção à violência em contexto de separações conjugais, ressaltando que conflitos emocionais podem, em alguns casos extremos, desencadear atos de violência contra terceiros.
A morte de Davi Lucca reacende debates sobre a vulnerabilidade de crianças em situações de tensão familiar e a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção infantil e à mediação de conflitos entre adultos.
Grupos comunitários em Sorriso promoveram vigílias e reuniões para discutir formas de apoio às famílias afetadas por violência, buscando reduzir o impacto de eventos traumáticos entre moradores.
A família enlutada ainda não emitiu notas oficiais à imprensa, mas amigos próximos têm se manifestado em redes sociais em luto pela perda do menino e em choque diante da ação perpetrada pelo pai.
Advogados ouvidos por esta reportagem afirmam que casos dessa natureza são tratados com rigor pelo sistema judicial brasileiro, e que, em situações de violência familiar extrema, as penas aplicáveis tendem a ser elevadas conforme previsão legal.
O caso segue sob investigação por parte da Polícia Civil, que deve ouvir testemunhas adicionais e aprofundar a análise de mensagens e possíveis registros eletrônicos que indiquem os últimos passos de Rairo antes de cometer o crime.
As autoridades destacam que a colaboração da sociedade e de vizinhos foi fundamental para interromper a tentativa de suicídio do suspeito, além de possibilitar a rápida resposta policial que resultou em sua detenção no local dos fatos.

