O Brasil se prepara para um marco histórico na prevenção de doenças respiratórias infantis. Na reta final de 2025, uma nova fase de imunização será iniciada com a introdução da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de novembro, gestantes e bebês terão acesso gratuito a um imunizante que promete reduzir drasticamente internações por bronquiolite e pneumonia em crianças pequenas, oferecendo proteção essencial nos primeiros meses de vida.
A iniciativa, conduzida pelo governo federal em parceria com o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer, culmina em uma transferência de tecnologia que permitirá ao Brasil produzir o imunizante localmente. A meta é distribuir, até o fim do ano, 1,8 milhão de doses para apoio ao calendário nacional de vacinação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da medida, afirmando que a cooperação desenvolve a autonomia econômica e científica do país. Ele explicou que a vacina protege tanto a gestante quanto o recém-nascido, impulsionando a saúde pública e fortalecendo a soberania sanitária nacional.
A vacinação nas unidades públicas de saúde será voltada principalmente a gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A imunização materna estimula a transferência de anticorpos para o bebê, garantindo proteção eficaz contra o VSR nos primeiros meses de vida, quando o risco de complicações respiratórias é maior.
Especialistas chamam a atenção para a gravidade da doença em lactentes. O VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Estudos demonstram que, para cada cinco crianças infectadas, uma precisa de atendimento ambulatorial, e aproximadamente uma em cada 50 sofre internação hospitalar.
No Brasil, cerca de 20 mil crianças menores de um ano são hospitalizadas anualmente em decorrência de infecções pela doença. O risco aumenta significativamente em bebês prematuros, cuja taxa de mortalidade é sete vezes maior em relação às crianças nascidas a termo.
A expectativa do Ministério da Saúde é que a campanha vacinal evite cerca de 28 mil internações por ano e beneficie até 2 milhões de bebês nascidos vivos. A medida representa uma conquista expressiva na política imunológica brasileira e reflete o compromisso do governo com a proteção dos grupos mais vulneráveis.
Além da nova vacina, o governo também anunciou a produção nacional do biológico Natalizumabe, voltado ao tratamento de Esclerose Múltipla. A medida visa ampliar o acesso ao medicamento e reduzir custos, fortalecendo ainda mais a estratégia de autonomia tecnológica no setor de saúde.
De acordo com especialistas, a iniciativa também permite ao Brasil explorar novas alternativas preventivas. Em paralelo à vacina,ехнологias baseadas em anticorpos monoclonais, como o Nirsevimab (Beyfortus) e Palivizumab (Synagis), têm demonstrado eficácia adicional na prevenção da doença em recém-nascidos de alto risco.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a vacinação materna e o desenvolvimento de estratégias complementares, que incluem imunização direta do bebê e uso de anticorpos profiláticos. A combinação dessas medidas é considerada uma das principais aliadas contra a hospitalização infantil.
O novo imunizante aproveita a tecnologia da proteína F pré-fusão, que desencadeia resposta imune mais eficiente e duradoura. Essa inovação representa um avanço importante na eficácia e resistência da vacinação ao longo do período de proteção.
Para acompanhar a temporada de infecções, a campanha será lançada junto ao início da estação mais fria, momento em que a circulação do vírus aumenta. Os estados e municípios poderão elaborar cronogramas próprios, integrando a imunização ao calendário gestacional e neonatal.
O ministro Alexandre Padilha ressaltou que a parceria reforça a construção de um sistema de saúde sustentável e autônomo, apto a enfrentar desafios sanitários e garantir acesso universal a vacinas de ponta.
A chegada da vacina contra o VSR ao SUS é um passo decisivo na luta por saúde infantil. Ela representa não apenas uma resposta a uma das principais causas de internação de crianças, mas também um símbolo do avanço da ciência e da tecnologia biomédica no país.
A proteção dos recém-nascidos depende diretamente da adesão ao programa de imunizações. Gestantes devem procurar as unidades de saúde a partir do segundo trimestre da gestação para receberem a dose recomendada.

