Oruam visita diretório do PT na zona Oeste do Rio. Artista busca partido para candidatura em 2026

A possibilidade de Oruam disputar uma vaga como deputado estadual nas eleições de 2026 reacende debates sobre trânsito entre a cultura, a fama e a arena política do Rio de Janeiro. A movimentação ganhou força após integrantes de sua equipe terem visitado o Partido dos Trabalhadores (PT), em endereço oficial da legenda, para tratar de uma eventual filiação e pré-candidatura.

A reunião ocorrida na manhã desta segunda-feira (24) no Diretório Estadual do PT, situado no Centro do Rio, teria como pauta a viabilidade da filiação e as condições para o registro da pré-candidatura. Fontes ligadas à articulação afirmam que a ideia é concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Para Oruam, o movimento representaria uma expansão de sua atuação — até agora marcada pela música e por sua popularidade nas redes sociais — para o campo institucional, com ambições eleitorais e uma tentativa de converter capital simbólico e de visibilidade em influência política.

Com isso, a notícia repercutiu de forma intensa, chamando atenção para a possibilidade de um nome polêmico, com histórico controverso, buscar espaço no Legislativo estadual.

Mas nem todos os protagonistas concordam com a narrativa. O PT do Rio, por meio de nota oficial, negou que tenha havido qualquer reunião formal com o artista ou seus representantes para tratar de filiação ou candidatura. A legenda classificou a informação como “narrativa falsa”.

Segundo o partido, não houve diálogo institucional, nem qualquer encaminhamento de filiação, e garantiu que decisões desse tipo são tomadas por canais regimentais internos e jamais por veículos de mídia ou rumores públicos.

O revés nas tratativas evidencia o tempo entre o que se especula nas redes ou na imprensa e o funcionamento real das estruturas partidárias — que exigem processos formais, deliberações internas e aprovação coletiva para aceitar um nome tão simbólico quanto o de Oruam.

A trajetória de Oruam é marcada por controvérsias. O rapper, cujo nome verdadeiro é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, acumula acusações criminais — entre elas tentativa de homicídio contra policiais, tráfico de drogas e associação para o tráfico, conforme investigações da polícia do Rio. Os processos ainda estão em curso.

Ele já chegou a ser preso em 2025 após uma abordagem policial na Zona Oeste do Rio, onde sua mansão está localizada. O episódio gerou protestos públicos por parte de Oruam e críticas às ações policiais, questões que também moldam a percepção do público sobre sua imagem.

Internamente, há quem acredite que sua suposta candidatura poderia agregar votos em regiões urbanas periféricas, com forte presença de jovens e comunidades marginalizadas — um perfil demográfico em que o rapper já tem certa aderência cultural e simbólica.

Por outro lado, há receio sobre as implicações de levar um nome com histórico judicial controverso para a vida pública institucional. Isso levanta questionamentos sobre risco à imagem partidária, desgaste político e possíveis questionamentos éticos e eleitorais.

A situação revela tensões que costumam emergir quando figuras midiáticas — sobretudo ligadas a periferias, cultura urbana e disputas de poder simbólico — tentam migrar para a política formal. A legitimação desse trânsito depende não só de vontade, mas de aprovação institucional e aceitação legal.

Do lado do PT, o entendimento expresso até o momento é de cautela: o partido reforça que qualquer ingresso, filiação ou candidatura deve seguir os trâmites regimentais da legenda, com análise de perfil, histórico e viabilidade eleitoral. Rumores isolados, segundo a sigla, não representam decisões.

Para o público e para o mundo político em geral, o caso traduz uma intersecção de debates complexos: liberdade de expressão, reabilitação social, direito a participar da política, e os limites da tolerância institucional diante de um histórico judicial.

Se a articulação de Oruam se confirmar e se tornar uma candidatura oficial, será um teste elevado para o sistema político e para a opinião pública sobre até onde artistas com passados controversos podem — ou devem — transitar no poder institucional.

Até o momento, o que existe de concreto é a negação formal do PT, a repercussão midiática da visita da equipe do rapper e o contexto judicial que lhe é atrelado. Nada indica que uma filiação esteja confirmada ou que Oruam tenha assegurada sua entrada no tabuleiro eleitoral.

Aguardam-se próximos capítulos, com possíveis novas declarações oficiais, decisões partidárias ou desdobramentos judiciais, que definirão se essa articulação se transforma em candidatura ou permanece como rumor.

Enquanto isso, o episódio segue como um reflexo de tensões persistentes na política brasileira: entre popularidade, notoriedade, memória criminal, reinserção social e ambições eleitorais.

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