O auxílio dos Estados Unidos à Coreia do Sul na construção de submarinos de propulsão nuclear é um movimento de alta complexidade na geopolítica do Indo-Pacífico, que transcende a mera transferência de tecnologia. Os ganhos para Washington são fundamentalmente estratégicos e de segurança regional.
1. Contenção e Dissuasão Ampliada (A China e a Coreia do Norte)
O principal ganho dos EUA é o reforço da capacidade de dissuasão contra a Coreia do Norte e, crucialmente, contra a China no Mar Amarelo e no Pacífico Ocidental.
Poder de Segunda Retaliação: Submarinos de propulsão nuclear, embora não estejam armados com mísseis nucleares (a princípio), oferecem uma capacidade de permanência e discrição infinitamente maior do que os submarinos convencionais. Isso significa que, em caso de ataque, a Coreia do Sul teria uma plataforma mais robusta para responder, aumentando a credibilidade da sua dissuasão convencional.
Avanço da Fronteira Tecnológica: Ao ajudar Seul, Washington integra o aliado mais profundamente à sua arquitetura de segurança. A Coreia do Sul, com submarinos nucleares, pode contribuir mais efetivamente para a vigilância anti-submarina e para o equilíbrio de poder naval que hoje é dominado pela rápida expansão da Marinha da China (PLAN).
2. A Consolidação da Aliança e a Prevenção da Proliferação
O apoio dos EUA à Coreia do Sul nesse projeto é uma ferramenta de consolidação de aliança. Seul tem demonstrado frustração com a falta de opções defensivas contra a Coreia do Norte, o que alimenta o debate interno sobre a necessidade de desenvolver suas próprias armas nucleares (proliferação).
Fidelização do Aliado: Ao oferecer a tecnologia de propulsão nuclear (que é o elemento mais complexo e restrito), os EUA mantêm a Coreia do Sul sob seu guarda-chuva nuclear e garantem que o país não rompa o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) para desenvolver armas. É uma forma de ceder um pouco de poder para manter o controle total sobre o poder nuclear.
Precedente AUKUS: Essa cooperação segue a linha da recente parceria AUKUS (Austrália, Reino Unido e EUA), demonstrando que Washington está disposto a compartilhar tecnologia nuclear sensível com aliados estratégicos para fins de segurança marítima.
3. Vantagem Econômica e de Mercado
Embora secundário ao ganho estratégico, há um benefício econômico e de mercado. A transferência de tecnologia e o fornecimento de componentes nucleares envolvem contratos militares bilionários que beneficiam a indústria de defesa americana.
Em resumo, a ajuda de Washington é um investimento geopolítico: a Coreia do Sul se torna um aliado militarmente mais capaz e tecnologicamente dependente, atuando como um fator de estabilidade e um contrapeso eficaz à China e à Coreia do Norte em uma das regiões mais tensas do globo.

