O Ministro Luiz Fux vota pela anulação do processo contra Bolsonaro

Quando o Supremo fala, o país escuta.

Mas, às vezes, a mensagem não está na decisão final — e sim na forma como ela é construída.

 

Em sua intervenção, o ministro Luiz Fux destacou a importância do papel do juiz.

E votou pela incompetência do STF para julgar a ação em questão.

 

A posição não foi inesperada.

Fux já havia sinalizado a mesma leitura meses antes, no recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República.

 

“A Constituição delimita de forma precisa e restrita as hipóteses em que nos cabe atuar originariamente no processo penal”, afirmou.

Segundo ele, trata-se de competência “excepcionalíssima”.

 

Essa expressão é central.

Para o ministro, julgar originariamente não pode virar rotina, sob pena de transformar o STF em instância ordinária.

 

Ele aproximou o Supremo da realidade dos juízes criminais de todo o país.

Para Fux, essa simetria reforça o dever de imparcialidade.

 

“O juiz deve acompanhar a ação penal com distanciamento”, destacou.

Não lhe cabe investigar, nem acusar.

 

O papel do magistrado, explicou, é controlar a regularidade do processo.

E, ao final, decidir sobre a justa correspondência entre fatos e provas.

 

Esse raciocínio recoloca o debate no terreno jurídico, longe das pressões políticas.

E fortalece a noção de que o STF não deve ser protagonista em todas as frentes.

 

Fux ainda ressaltou que trataria primeiro das questões preliminares.

A principal delas: a incompetência do STF e a remessa da ação ao primeiro grau.

 

Ao insistir nesse caminho, o ministro reafirma um princípio de contenção.

O Supremo não deve expandir seus limites além do que a Constituição prevê.

 

O voto provoca uma reflexão maior.

Até onde vai o papel do juiz como guardião do processo?

 

E, sobretudo: até que ponto a sociedade brasileira está preparada para aceitar que nem sempre o STF é o palco adequado para todas as batalhas?

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