Nikolas Ferreira convoca manifestação pelo impeachment de Toffoli, Moraes e Lula

Convocar manifestações de rua virou o novo “post do dia” na política brasileira.

Desta vez, o deputado Nikolas Ferreira escolheu o dia 1º de março para transformar a Avenida Paulista em um termômetro de indignação contra o governo e o STF.

O pedido é o mesmo de sempre: impeachment. Mas, por trás do discurso inflamado, existe uma estratégia que vai muito além de derrubar autoridades.

Precisamos olhar para esse evento não apenas como um protesto, mas como uma ferramenta de manutenção de influência.

Para um parlamentar que nasceu e cresceu nas redes sociais, a rua é o lugar onde os números de seguidores se transformam em corpos presentes.

O alvo triplo — Lula, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — não é por acaso. Eles representam os três grandes nós que a oposição tenta desatar há anos.

Mas sejamos realistas: as chances de um processo de impeachment avançar contra esses três ao mesmo tempo são juridicamente próximas de zero.

Então, por que insistir em uma pauta que dificilmente terá um resultado prático no papel?

A resposta está no engajamento. A política moderna se alimenta de vilões claros e de uma luta constante entre o “nós” e o “eles”.

A Avenida Paulista deixou de ser apenas um lugar de passagem para virar o cenário de um teatro político que se repete a cada semestre.

Para Nikolas e seus aliados, o sucesso não é medido pela queda de um ministro, mas pela foto da multidão vista de cima.

Essa imagem é a moeda de troca que eles usam para mostrar poder dentro do Congresso e para manter a base de eleitores aquecida.

O ceticismo aqui é necessário: até que ponto essas manifestações ainda têm o poder de mudar o rumo das leis no Brasil?

No passado, as ruas derrubaram governos. Hoje, elas parecem servir mais para alimentar os algoritmos das redes sociais.

Existe também um risco óbvio: a exaustão do público. Ir para a rua exige tempo, dinheiro e disposição.

Quando as promessas de mudança radical não acontecem, o manifestante começa a se perguntar se o esforço vale a pena.

Enquanto isso, o silêncio das autoridades citadas é uma estratégia clássica de ignorar o barulho para não dar mais palco ao adversário.

O governo e o STF sabem que, em 2026, a verdadeira guerra não é apenas nas calçadas, mas na estabilidade da economia e das instituições.

O protesto do dia 1º será mais um capítulo de um livro que o brasileiro já leu várias vezes.

A pergunta que fica é: esse ato vai realmente pressionar Brasília ou será apenas mais um vídeo de sucesso no canal do deputado?

A política do espetáculo é vibrante, mas raramente resolve os problemas reais de quem está segurando o cartaz no sol.

A verdadeira mudança costuma acontecer no silêncio dos gabinetes, longe dos carros de som e dos gritos de guerra.

Resta saber se o eleitor ainda acredita que o grito na Paulista tem o mesmo peso que o voto na urna.

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