“Não queremos nova Guerra Fria’, Lula afirma após Trump elevar tarifas globais para 15%

O tabuleiro do comércio global acaba de sofrer um solavanco que obrigou o governo brasileiro a abandonar o silêncio diplomático. A fala do presidente Lula, ao afirmar que “não queremos uma nova Guerra Fria” após Donald Trump elevar as tarifas globais para 15%, é o grito de quem vê o mar se fechando para os países em desenvolvimento.

O anúncio de Trump não é apenas um ajuste de impostos; é uma barreira de contenção erguida para proteger o mercado americano a qualquer custo. Ao taxar o mundo de forma linear, Washington ignora parcerias históricas e foca em um único objetivo: o isolamento produtivo como arma de defesa.

Lula tenta se posicionar como a voz da sensatez em um cenário de radicalismo. O medo de uma “Nova Guerra Fria” não é exagero ideológico, mas um receio prático de que o mundo se divida novamente em blocos fechados, onde o livre comércio vira apenas uma lembrança de livros de história.

O “e daí?” dessa notícia atinge o seu bolso de forma direta. O Brasil, que depende de vender minério, carne e soja para o mundo, vê seu principal comprador de produtos manufaturados (os EUA) fechar a porta com um cadeado de 15%.

Isso força o país a uma escolha perigosa: ou aceitamos as condições americanas ou mergulhamos de vez na órbita comercial da China. É exatamente esse o tipo de divisão que a diplomacia brasileira sempre tentou evitar.

O pragmatismo de Trump atropela a ideia de “Sul Global” ou de alianças multilaterais. Para a Casa Branca, o mundo agora é um jogo de soma zero: para os americanos ganharem, alguém precisa pagar a conta — e essa conta acaba de chegar para o Brasil.

O ceticismo aqui é fundamental: será que a fala de Lula tem algum poder de mudar a direção de um governo americano que foi eleito justamente para aplicar essas medidas protecionistas?

A resposta curta é que a retórica tem pouco peso diante de uma canetada de tarifas. O Brasil terá que negociar nos bastidores, oferecendo contrapartidas que podem ir de minerais estratégicos a concessões em tecnologia, para tentar escapar desse imposto geral.

A economia mundial está deixando de ser uma rede de cooperação para virar um campo de batalha. Onde antes havia tratados de livre comércio, agora existem ameaças de retaliação e barreiras alfandegárias.

O perigo real é que esse movimento de Trump gere um efeito cascata. Se os EUA taxam, o Brasil taxa de volta, a Europa se protege e, no fim, todos pagamos mais caro por produtos que antes circulavam livremente.

Lula sabe que o Brasil não tem fôlego para uma guerra tarifária. O país precisa de mercados abertos para crescer. Sem isso, o risco é a estagnação econômica acompanhada por uma inflação importada.

A diplomacia do “abraço em todos” está chegando ao seu limite. O mundo de Trump exige definições claras, e o Brasil está tentando desesperadamente manter a neutralidade enquanto o chão desaparece sob seus pés.

Não se trata mais de ser “amigo” de um ou de outro, mas de sobreviver em um mercado que ficou repentinamente hostil. A era da globalização romântica acabou.

A pergunta final que fica para o governo e para as empresas brasileiras é: estamos preparados para um mundo onde o comércio não é mais uma troca de bens, mas uma extensão da guerra política?

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