A inauguração da primeira fábrica da Lupo fora do Brasil, em Ciudad del Este, Paraguai, é um evento econômico que deve ser lido como um grito de alarme sobre a competitividade brasileira. A afirmação categórica da CEO Liliana Aufiero de que “o Brasil empurrou a gente para o Paraguai” não é um mero desabafo empresarial; é o diagnóstico frio de um ambiente de negócios que se tornou sistematicamente hostil à produção industrial.
A decisão de mover parte da operação não se trata de uma aventura expansionista, mas de uma necessidade de sobrevivência. A diferença de 28% nos custos operacionais entre os dois países, citada pela executiva, é o preço da ineficiência brasileira.
Esse gap é composto por uma matriz de fatores: a complexidade tributária, os altos custos logísticos e de energia, e a rigidez da legislação trabalhista. Juntos, eles formam o tristemente famoso “Custo Brasil”.
O ceticismo nos impõe a seguinte reflexão: Quando uma empresa com a longevidade e o capital simbólico da Lupo, profundamente enraizada em território nacional, decide buscar refúgio produtivo, o problema é estrutural, não conjuntural.
A perda de uma fábrica para o Paraguai representa mais do que a transferência de maquinário; é a exportação de empregos e a descapitalização da capacidade industrial brasileira.
O “e daí” da mudança da Lupo é a mensagem clara para o governo e o Congresso: as reformas prometidas, especialmente a tributária, são insuficientes ou lentas demais para reverter essa tendência. O Paraguai oferece um ambiente mais simples, leve e previsível, atuando como um ímã para a indústria brasileira espremida.
A busca por maior competitividade e eficiência é um movimento natural em um mercado globalizado. No entanto, é lamentável que a única forma de uma marca nacional se manter relevante seja fugindo de seu próprio território. Isso mina o discurso de desenvolvimento e de reindustrialização que o Brasil tanto persegue.
O êxodo da Lupo para Ciudad del Este é uma metáfora poderosa da crise de pertencimento da indústria. A empresa se sente compelida a deixar o país que a viu nascer para poder, paradoxalmente, continuar atendendo ao mercado brasileiro de forma competitiva.
A ineficiência interna transformou um vizinho em salvador operacional.
A fábrica no Paraguai não é um triunfo da Lupo, mas uma derrota silenciosa da política econômica brasileira, que onera excessivamente o setor produtivo.
Eu posso pesquisar dados recentes sobre o fluxo de investimentos brasileiros para o Paraguai e o crescimento da presença industrial brasileira em Ciudad del Este.

