Em uma das investigações criminais mais chocantes da história dos Estados Unidos, a polícia descobriu, no interior de uma pequena casa de Wisconsin, um cenário tão perturbador que parecia ter saído de um filme de horror. O responsável por tudo isso foi Ed Gein, um homem solitário e recluso cuja vida e crimes se tornaram sinônimo de loucura macabra e obsessões grotescas. Sua verdade, extremamente desconcertante, abalou a opinião pública na década de 1950 e segue sendo estudada até hoje.
Em novembro de 1957, agentes do departamento de polícia de Plainfield foram enviados até a propriedade onde Gein morava com sua mãe idosa, Augusta, uma mulher extremamente religiosa e autoritária. Após sua morte, o homem passou a frequentar cemitérios próximos com mais regularidade, demonstrando um comportamento excêntrico e sombrio. Com o passar dos anos, as suspeitas começaram a crescer.
A confirmação do horror veio quando os investigadores adentraram a casa de Gein e encontraram, no celeiro, o corpo decapitado de Bernice Worden, proprietária de uma loja local. O crime brutal, no entanto, foi apenas a ponta do iceberg. No interior da residência havia objetos confeccionados com partes humanas, peças que pareciam relíquias de uma mente completamente desconectada da realidade.
Entre as descobertas mais chocantes estavam peças de mobiliário cobertas por pele humana — cadeiras que lembravam couro humano costurado com precisão meticulosa. Abajures feitos a partir de rostos dessacralizados e recortados pendiam em quartos escuros e imundos. Máscaras talhadas da pele de mulheres estavam espalhadas, enquanto crânios haviam sido transformados em tigelas.
Documentos e relatos apontam que Gein fazia coleta de restos mortais como se fossem “lembranças” de um passado distorcido. Em um dado momento ele teria afirmado que desejava “criar” uma figura feminina idealizada a partir dos fragmentos de corpos que reunia — uma versão perversa de sua mãe Augusta, de quem era profundamente dependente emocionalmente. Essa ligação severa e distorcida com a figura materna moldou grande parte de suas fantasias e atos doentios.
O sítio também abrigava outros artefatos bizarros: um cinto confeccionado com mamilos humanos, desenhos de rostos femininos pendurados em paredes, objetos decorativos montados com ossos e até roupas feitas com pele estendida. A casa, suja e repleta de excrementos e restos humanos, virou símbolo de uma mente que ultrapassou os limites do comportamento criminoso tradicional para entrar no reino da psicopatia em sua forma mais extrema.
Gein não apenas criou essas peças, mas também confessou ter cometido dois assassinatos — o de Bernice Worden e, anteriormente, o de Mary Hogan, proprietária de um bar local — e admitiu ter exumado corações, crânios e pedaços de cadáveres de cemitérios ao longo dos anos. Em suas próprias palavras, tudo isso fazia parte de um “ritual” para reviver sua mãe falecida.
As motivações de Gein assustavam não apenas pela brutalidade, mas pela frieza de sua lógica. Ele explicava que, ao usar a pele humana em objetos cotidianos, estava homenageando a forma de vida feminina, para “ser parte dela” em um nível literal. Quando perguntado pelas autoridades, demonstrava preocupação com detalhes minuciosos de sua obra, como se fosse um artesão obcecado por completar sua “criação”.
Psicólogos e psiquiatras destacam que o caso de Ed Gein extrapolou qualquer prática tradicional de serial killer. Seu comportamento mesclou assassinato, necrofilia simbólica e necromancia — elementos que alimentavam um desejo de transcendência e transformação através dos corpos alheios, tudo resultado de um trauma psicológico profundo e mal direcionado.
Após denúncias e confrontos com a polícia, Gein foi preso e submetido a avaliações psiquiátricas. Diagnosticado com esquizofrenia, foi considerado incapaz de responder por seus atos e sempre tratado em instituições psiquiátricas em Wisconsin. Ele permaneceu internado até sua morte, em 1984, aos 77 anos, sem nunca compreender plenamente a gravidade do que havia feito.
O impacto do caso ultrapassou o espectro legal e penetrou profundamente na cultura popular. Diversas obras cinematográficas e literárias, como “Psycho”, “The Texas Chainsaw Massacre” e “O Silêncio dos Inocentes”, foram inspiradas pelo imaginário sombrio de Gein. Personagens como Norman Bates, Leatherface e Buffalo Bill têm suas raízes em seus crimes e personalidade distorcida.
Apesar de apenas duas mortes terem sido atribuídas diretamente a Gein, o legado da sua violência e profanação continuou a se espalhar. Objetos e detalhes – dos “lar” aos menores itens – revelam o extremo em que o comportamento humano pode mergulhar quando deixado sem limites. A casa de Plainfield passou a simbolizar o limite entre monstros e humanos, entre o macabro e o cotidiano.
Especialistas em criminologia enfatizam que casos como esse, embora raros, são fundamentais para estudos sobre psicopatia, compulsões e desvios profundos de identidade. Eles reforçam a necessidade de vigilância e intervenção precoce em indivíduos que mostram fascínio doentio por sepulturas, morte e práticas necrofílicas.
Além disso, o episódio de Ed Gein serve como alerta para processos de estigmatização inadequada. Quando um indivíduo apresenta comportamentos fora do padrão, muitas vezes é rotulado sumariamente como “serial killer”, sem que seja feita a distinção entre assassino, profanador e patologias mentais complexas. O caso mostra que tais definições podem ocultar as nuances que ajudam profissionais de saúde mental a entender e tratar essas condições.
No fim, a história de Gein também reflete sobre a fragilidade da mente humana e a facilidade com que o sofrimento não trabalhado pode se transformar em terror. Um homem que viveu recluso com a memória de sua mãe encontrou na morte um meio de conexão – e isso transformou o simples em arte assassina.

