A mulher que foi agredida com mais de 60 socos dentro de um elevador em Natal (RN) mostrou nesta semana o resultado parcial de sua reconstrução facial, cerca de sete dias após o procedimento cirúrgico que buscou reparar diversas fraturas em sua face. A vítima, identificada como Juliana Garcia dos Santos, de 35 anos, tornou público nas redes sociais o estado atual de seu rosto após um complexo tratamento realizado no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal.
O caso de violência extrema ocorreu no dia 27 de julho de 2025, quando Juliana foi brutalmente agredida pelo então namorado, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, dentro do elevador do prédio onde residiam. As câmeras de segurança do local registraram o ataque, no qual o agressor desferiu dezenas de socos no rosto da vítima em poucos segundos, deixando-a gravemente ferida.
A cirurgia de reconstrução facial, tecnicamente chamada de osteossíntese, foi realizada no dia 1º de agosto e durou várias horas, segundo informações divulgadas pela equipe médica responsável. O procedimento envolveu a fixação de placas e parafusos para estabilizar estruturas ósseas fraturadas na mandíbula, maxilar, osso zigomático e outras regiões da face.
Depois da intervenção, Juliana recebeu alta hospitalar no início da noite de uma segunda-feira, após permanecer alguns dias sob observação médica. A equipe multidisciplinar que acompanhou o caso divulgou que o procedimento ocorreu conforme o planejado, embora admitisse a possibilidade de sequelas permanentes devido à extensão dos ferimentos.
A empresária começou o pós-operatório com sessões de laserterapia destinadas a reduzir o edema e a inflamação decorrentes da cirurgia, e compartilhou imagens que mostram seu rosto ainda com marcas, hematomas e sinais claros da cicatrização inicial. Esses registros vieram acompanhados de relatos sobre o longo processo de recuperação a que ela ainda será submetida nas próximas semanas e meses.
Juliana relatou anteriormente que os ossos de sua face foram quebrados durante a agressão, que durou cerca de 36 segundos enquanto o elevador descia do 16º andar até o térreo. Segundo seu depoimento, o ataque teria sido motivado por ciúmes e intenções violentas por parte de Igor, que chegou a exigir ver o celular dela antes de iniciar a violência.
O caso foi registrado como tentativa de feminicídio pelas autoridades policiais. Igor Eduardo Pereira Cabral foi preso em flagrante logo após o ataque, detido por uma equipe da Polícia Militar e posteriormente teve sua prisão convertida em preventiva por determinação judicial.
Em sua defesa inicial, o agressor alegou ter sofrido uma “crise de claustrofobia” no elevador e afirmou que a vítima teria reagido de forma agressiva a isso. A versão foi amplamente contestada pela investigação, que considerou a violência aplicada como desproporcional e deliberada, evidenciada pelas imagens registradas no momento do ataque.
O caso gerou grande repercussão nacional e debate sobre violência doméstica e feminicídio no Brasil, chamando atenção para a gravidade dos episódios e as consequências físicas e psicológicas para as vítimas. Organizações e especialistas em direitos humanos destacaram a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenir e punir esse tipo de crime.
Juliana, que antes da agressão era promotora de vendas, ficou impossibilitada de trabalhar após o ataque e iniciou campanhas nas redes sociais para arrecadar fundos que ajudem no custeio de seu tratamento e recuperação. Sua história também mobilizou profissionais voluntários, incluindo médicos e advogados que se ofereceram para colaborar com o processo de reabilitação.
A divulgação dos resultados da cirurgia foi interpretada por muitos como um marco importante em sua recuperação, mas especialistas alertam que o processo completo de reabilitação facial pode levar meses e exigirá acompanhamento contínuo de médicos, fisioterapeutas e psicólogos.
Autoridades de segurança pública e operadores do direito acompanharam de perto o caso desde o início, considerando a agressão um exemplo extremo de violência de gênero. O Ministério Público e a Delegacia de Atendimento à Mulher em Natal atuaram na formalização da denúncia e nas medidas protetivas necessárias para assegurar a segurança da vítima.
O crime dentro do elevador expôs falhas percebidas por especialistas em sistemas de prevenção, incluindo a importância de conscientização sobre sinais de relacionamentos abusivos e a implementação de mecanismos que incentivem denúncias antes que a violência escale.
Juliana tem relatado em suas postagens que, apesar das dores físicas e do impacto emocional, seu foco está em se recuperar plenamente e retomar sua vida com dignidade, contando com a rede de apoio que se formou espontaneamente em torno de sua história.
O caso também reacendeu discussões no meio médico sobre os desafios das cirurgias de reconstrução facial em vítimas de violência extrema, que muitas vezes exigem técnicas avançadas e planejamento detalhado para restaurar tanto função quanto estética.
Enquanto isso, processos legais contra o agressor seguem em andamento no sistema judiciário brasileiro, com a acusação buscando responsabilização penal pelo crime de tentativa de feminicídio, o que pode resultar em pena significativa caso ele seja condenado.
A exposição a que Juliana se submeteu ao compartilhar sua recuperação nas redes sociais serve para dar visibilidade à realidade enfrentada por muitas mulheres que sobrevivem a agressões graves no país, e reforça a necessidade de apoio institucional e social contínuo a essas vítimas.
Especialistas em violência doméstica alertam que casos dessa natureza demandam respostas integradas entre serviços de saúde, assistência social e sistema de justiça para garantir não apenas a punição dos agressores, mas também a proteção e a reinserção das vítimas na sociedade.
A repercussão do caso também motivou debates sobre educação emocional e relacionamentos saudáveis, com organizações civis promovendo campanhas de conscientização para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
O desfecho parcial da recuperação de Juliana representa um passo importante em sua jornada de superação, mas, conforme alertam profissionais de saúde, a avaliação final sobre a extensão da recuperação só poderá ser feita após meses de acompanhamento.
Agressões desse tipo são tratadas pela legislação brasileira com rigor crescente, especialmente no contexto da Lei Maria da Penha, que estabelece mecanismos de proteção às mulheres e penas mais severas para crimes de violência doméstica e feminicídio.

