Motorista de Uber termina corrida e fica ao lado de jovem que estava sozinho no pronto-socorro

Um episódio ocorrido há cerca de sete anos, em Austin, no estado do Texas, nos Estados Unidos, transformou uma simples corrida por aplicativo em uma história marcante de solidariedade e apoio humano em um momento de vulnerabilidade.

O caso envolve o então universitário Joey Romano, que na época cursava o último ano da faculdade e levava uma rotina comum de estudante, próxima à área da Universidade do Texas. Um acidente inesperado durante uma atividade de lazer mudaria o rumo daquele dia.

Enquanto andava de skate, Joey tentou desviar de um carro, perdeu o controle e caiu em uma vala às margens da via. No impacto, sofreu uma fratura no pulso, acompanhada de dor intensa e limitação imediata de movimento.

Diante da situação, ele avaliou as opções de atendimento. Sem contar com um plano de saúde robusto e preocupado com custos de emergência, optou por não acionar uma ambulância naquele momento.

Como alternativa, decidiu solicitar um carro por aplicativo para chegar até uma unidade de pronto-socorro. A chamada foi aceita pelo motorista Beni Lukumu, que se dirigiu ao ponto indicado sem saber a gravidade do quadro.

Ao chegar, o motorista encontrou o passageiro ainda no chão, com sinais claros de dor e dificuldade para se levantar. Segundo relatos posteriores, a primeira reação foi oferecer ajuda física e tranquilizar o jovem antes do deslocamento.

Beni auxiliou Joey a entrar no veículo com cuidado, ajustou a posição do banco para reduzir o desconforto e iniciou o trajeto em direção ao atendimento médico. Durante o percurso, percebeu que a lesão poderia exigir suporte hospitalar imediato.

Ao avaliar a condição do passageiro, o motorista decidiu não encerrar a corrida no destino inicialmente previsto. Ele optou por levá-lo diretamente ao hospital, priorizando a necessidade clínica em vez do procedimento padrão da viagem.

De acordo com o relato, a corrida não foi cobrada. A decisão partiu do próprio condutor, que entendeu que a situação exigia flexibilidade e atenção além do serviço contratado pelo aplicativo.

Ao chegar à emergência, Beni notou que Joey estava sozinho na cidade, sem familiares por perto para acompanhar o atendimento. Mesmo após concluir o transporte, resolveu permanecer no local.

Ele ajudou no processo de registro na recepção, aguardou a triagem e continuou ao lado do jovem enquanto os procedimentos iniciais eram realizados pela equipe de saúde.

O período de espera se estendeu por horas, aproximadamente das 14h às 20h. Durante esse intervalo, o motorista permaneceu próximo à maca, oferecendo presença e conversa para reduzir a ansiedade do paciente.

Joey recorda que, enquanto recebia medicação para dor, incluindo morfina, a sensação de não estar sozinho contribuiu para seu equilíbrio emocional. Em depoimento posterior, afirmou: “Ele tem uma presença acolhedora. Parecia que nos conhecíamos há anos”.

Beni Lukumu é imigrante do Congo e, segundo descreveu, compreendia o sentimento de estar distante da família em momentos críticos. Para ele, a escolha de ficar não representava perda, mas dever humano.

Ao explicar sua atitude, resumiu a motivação de forma direta: “Ele precisava de alguém ao lado”. A frase se tornaria a síntese do episódio compartilhado depois por Joey.

O que o motorista não sabia naquele dia é que o estudante também enfrentava um processo de luto pela morte do irmão, vítima de leucemia. O acidente ocorreu em uma fase emocionalmente delicada.

Segundo Joey, o gesto recebido no hospital teve impacto profundo em sua forma de enxergar as pessoas e as relações sociais. Em suas palavras: “A bondade dele me fez voltar a acreditar no mundo”.

Com o passar do tempo, a relação entre os dois não se perdeu. A conexão iniciada em circunstâncias emergenciais evoluiu para uma amizade mantida ao longo dos anos seguintes.

Atualmente, Beni atua no setor de seguros, enquanto Joey trabalha como desenvolvedor na área de energias renováveis. Apesar dos caminhos profissionais distintos, ambos mantêm contato frequente.

Ao relembrar a experiência, o motorista reforça uma visão simples sobre convivência social: “O mundo anda dividido demais. O que a gente precisa é de amor e bondade”. A declaração resume o sentido que ele atribui à decisão tomada naquele dia.

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