A influenciadora digital Isabel Veloso, de 19 anos, faleceu na manhã deste sábado (10) em Curitiba (PR), após enfrentar complicações relacionadas ao câncer que vinha combatendo desde a adolescência. A confirmação da morte foi feita pelo marido da jovem, Lucas Borbas, por meio de uma mensagem publicada nas redes sociais, que repercutiu entre seguidores, colegas e membros da comunidade online.
Desde muito jovem, Isabel ganhou notoriedade por transformar sua experiência pessoal com a doença em um relato aberto ao público. Diagnosticada com linfoma de Hodgkin aos 15 anos, ela decidiu compartilhar as etapas do tratamento, desafios e sentimentos em suas redes sociais, construindo uma base de milhões de seguidores que acompanhavam sua jornada.
O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que acomete o sistema linfático, órgão essencial na resposta imunológica do corpo. Apesar de, em muitos casos, ter boas taxas de cura, sua evolução pode ser agressiva, especialmente quando o diagnóstico ocorre em estágios avançados ou há complicações nos tratamentos.
Ao longo de quase quatro anos de tratamento, Isabel passou por diversas fases clínicas, incluindo sessões intensas de quimioterapia, internações e procedimentos complexos. Em determinado momento, chegou a interromper o tratamento convencional em virtude de efeitos colaterais severos, conforme ela mesma relatou em entrevistas e conteúdos publicados nas redes.
Em maio de 2025, a influenciadora anunciou que a doença havia entrado em remissão, abrindo espaço para um novo passo no processo terapêutico: um transplante de medula óssea. O procedimento foi realizado em outubro, com o doador sendo seu pai, Joelson Veloso. A família compartilhou momentos de esperança após o ato, que inicialmente foi considerado bem-sucedido.
Após receber alta, entretanto, Isabel foi internada novamente no final de novembro de 2025 no Hospital Erasto Gaertner, referência no tratamento oncológico em Curitiba, onde o quadro clínico começou a apresentar instabilidades mais severas. Segundo relatos do marido, a influenciadora passou mal, apresentou parada respiratória e foi levada para a UTI, onde permaneceu até o desfecho fatal.
Durante essa última hospitalização, exames identificaram níveis elevados de magnésio no sangue, o que contribuiu para a crise respiratória inicial. A situação exigiu cuidados intensivos, incluindo intubação endotraqueal, na tentativa de estabilizar a jovem.
Logo depois, Isabel chegou a apresentar uma breve melhora clínica, o que levou familiares e seguidores a acreditarem em uma recuperação gradual. Porém, posteriormente, o quadro voltou a se agravar e sua condição de saúde deteriorou-se rapidamente.
Nas redes sociais, seguidores e admiradores reagiram à notícia com mensagens de luto e homenagens à trajetória de Isabel, que se tornou figura conhecida tanto por sua luta contra a doença quanto por sua presença envolvente nas plataformas digitais.
A influenciadora também deixa um filho, Arthur, de aproximadamente um ano, fruto de sua união com Lucas Borbas, com quem se casou em 2024 após organizar uma campanha solidária online e celebrar a cerimônia em meio à sua batalha contra o câncer.
A história de Isabel gerou debates públicos sobre qualidade de vida, tratamentos oncológicos e os desafios de viver com uma doença grave em plena adolescência e juventude, questões muitas vezes abordadas por especialistas e profissionais de saúde.
Em diversos momentos de sua trajetória, ela expôs de forma crua e pessoal os efeitos colaterais dos tratamentos, o impacto emocional da luta diária e os cuidados necessários diante de uma doença que exige atenção constante.
Embora a remissão temporária do câncer tenha sido celebrada nas redes sociais, profissionais de saúde costumam lembrar que resultados de exames e respostas ao tratamento podem oscilar, necessitando acompanhamento contínuo e decisões médicas criteriosas.
O Hospital Erasto Gaertner, onde Isabel estava internada, é uma das instituições mais reconhecidas no país pelo atendimento oncológico, reunindo equipes multidisciplinares e tecnologias voltadas ao tratamento de casos complexos.
Após o anúncio do falecimento, familiares expressaram pesar pela perda, enquanto plataformas digitais registraram um aumento expressivo de mensagens de apoio ao marido, ao filho e aos pais da influenciadora.
Internautas destacaram o papel de Isabel em humanizar a narrativa sobre o câncer e inspirar pessoas que enfrentam desafios semelhantes, mesmo diante de incertezas e episódios de piora clínica.
A dedicação dela em dividir partes de sua vivência com o público gerou tanto apoio quanto discussões sobre a forma de abordar doenças graves nas redes sociais, tema que segue em debate entre comunicadores e profissionais de saúde.
Nas últimas postagens anteriores à internação final, Isabel demonstrava esperança em melhorias e expressava gratidão pelos episódios de carinho e solidariedade recebidos ao longo dos anos de tratamento.
A perda precoce de uma jovem de 19 anos trouxe à tona reflexões sobre a complexidade do câncer, os limites dos tratamentos e a importância de uma abordagem médica e emocional integrada, especialmente em casos crônicos e prolongados.
Com sua morte, muitos seguidores e residentes da comunidade digital lamentam a partida de uma figura que encontrou nas redes um meio de transformar uma trajetória de sofrimento em testemunho público.
O legado de Isabel Veloso permanecerá, para muitos, como um exemplo de coragem e autenticidade diante de uma das doenças mais desafiadoras, além de abrir espaço para conversas profundas sobre saúde, maternidade, tratamento, esperança e o impacto da mídia social na forma como enfrentamos adversidades graves.

