Ministro da Economia do Nepal é cercado e entra no rio pra fugir, mas não consegue

A cena correu o mundo: o ministro das Finanças do Nepal, Bishnu Prasad Paudel, correndo em desespero, cercado por manifestantes que o chutavam e agrediam em plena rua.

Não era apenas um político em fuga. Era a imagem de um Estado acuado pela própria juventude que jurava governar.

Paudel, figura central do governo de K.P. Sharma Oli, tornou-se alvo da ira popular quando as manifestações atingiram seu auge. As ruas já não eram espaço seguro nem para autoridades protegidas.

Os protestos começaram com um bloqueio aparentemente técnico: 26 plataformas digitais, entre elas Facebook, Instagram e X, foram suspensas sob o argumento de descumprimento de registro.

Mas a juventude, conectada e impaciente, não enxergou burocracia. Viu censura, viu um governo tentando calar vozes. E reagiu.

A repressão policial, com tiros de borracha, gás lacrimogêneo e até munição letal, apenas agravou o conflito. O saldo oficial de 19 mortos expôs a gravidade da crise.

Nesse cenário, Paudel virou símbolo. Não por seus feitos econômicos, mas por se tornar alvo visível da revolta. Seu corpo acuado retratava o colapso da autoridade.

As imagens do ministro correndo, tropeçando, tentando escapar, viralizaram mesmo em meio à censura. O que deveria ser um ato de contenção do governo, ironicamente, amplificou a indignação.

O premier Oli tentou resistir. Falou em ordem, em estabilidade, em responsabilidade institucional. Mas as ruas já haviam decidido seu destino.

A renúncia do chefe de governo, anunciada logo depois, confirmou a dimensão da crise. Não se tratava de um episódio isolado, mas de um ponto de ruptura.

O Nepal já havia enfrentado turbulências políticas no passado, mas raramente uma geração jovem esteve tão no centro da cena.

A chamada “Gen Z” nepalesa não se contenta com promessas vagas. Quer acesso, participação, transparência. E não hesita em transformar ruas em arenas.

A agressão a Paudel é mais do que violência de massa. É um alerta sobre a falência da distância entre governantes e governados.

Um ministro que deveria inspirar confiança foi reduzido a alvo físico. Essa inversão revela o tamanho da erosão institucional.

O episódio não elimina a pergunta central: quem governará agora um país que desconfia de seus líderes e não confia em suas instituições?

Se a censura digital foi o gatilho, o estopim real é mais profundo: desemprego, desigualdade, promessas não cumpridas.

Cada chute no ministro traduzia uma frustração coletiva, acumulada por anos de expectativas frustradas.

O futuro imediato do Nepal dependerá não apenas de novos nomes no poder, mas de uma mudança real na escuta da juventude.

Porque, como mostrou o ministro em fuga, quando a política se afasta da sociedade, nem o mais alto cargo garante abrigo contra a fúria popular.

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Comentário de internauta repercute: “o brasil deveria estar inaugurando fábricas, inovando…mas estão comemorando que a população ainda precisa de gás de cozinha ”gratuito” para o povo sobreviver”