O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou uma iniciativa que visa oferecer uma alternativa de formação a jovens que atualmente não estão empregados nem matriculados em instituições de ensino no país.
O programa, denominado “Servicio Cívico” pelo governo argentino, pretende organizar uma estrutura de treinamento voltada a pessoas de 18 a 24 anos que não trabalham e não estudam, um grupo frequentemente referido na imprensa como “ni-ni”.
A proposta tem como objetivo central fornecer aos participantes formação em disciplina, respeito e valores, além de orientação educacional e profissional que possa contribuir para a inserção no mercado de trabalho ou para a retomada de estudos.
Segundo o anúncio oficial, a iniciativa será implementada em diversas cidades do país sob coordenação de órgãos públicos como a Gendarmería Nacional e o Ministério de Capital Humano.
O governo descreveu o programa como uma forma de afastar os jovens de situações de risco social, como envolvimento com o crime e uso de substâncias ilícitas, fornecendo capacitação básica que pode ser reconhecida no mercado de trabalho.
A ministra de Segurança, Patricia Bullrich, divulgou em suas redes sociais que o “Servicio Cívico” tem como propósito “sacar a los jóvenes de las calles y alejarlos del delito y la droga” (tirar os jovens das ruas e afastá-los do crime e da droga).
A participação no programa foi descrita pelo governo como aberta aos jovens dentro da faixa etária estabelecida, com inscrições previstas em centros de atendimento em mais de uma dezena de localidades.
Embora a iniciativa esteja associada à temática de serviço militar, documentos oficiais e declarações de autoridades esclarecem que o “Servicio Cívico” não constitui um regime de conscrição militar obrigatório tradicional.
Em vez disso, trata-se de um modelo de formação que combina elementos cívicos, educacionais e, em alguns aspectos, de disciplina que se assemelham a treinamentos básicos.
O programa difere de um sistema de serviço militar obrigatório no qual os jovens são recrutados e sujeitos a obrigações legais vinculadas à defesa nacional.
No contexto argentino, vale observar que o serviço militar obrigatório — conhecido historicamente como “colimba” — foi abolido em 1994, sendo substituído por um regime voluntário, regulamentado pela legislação vigente desde então.
Dessa forma, a proposta atual não retoma a antiga obrigatoriedade de serviço militar para todos os jovens, como ocorria no passado.
Autoridades do governo afirmam que o plano não infringe direitos civis nem estabelece obrigações punitivas, destacando seu caráter formativo e não coercitivo.
Organizações sociais e especialistas em políticas públicas, porém, têm manifestado opiniões diversas sobre o impacto real da iniciativa na vida dos jovens mais vulneráveis.
Alguns analistas questionam se a formação proposta será suficiente para enfrentar desafios estruturais como desemprego juvenil e falta de acesso à educação de qualidade.
A proposta também tem sido objeto de debate político, atraindo tanto apoio quanto críticas no parlamento e entre setores da sociedade civil.
Defensores da iniciativa argumentam que oferecer uma alternativa de formação e capacitação é uma forma pragmática de apoiar jovens em situação de vulnerabilidade.
Críticos, por outro lado, afirmam que esse tipo de programa pode desviar recursos de políticas sociais mais amplas ou criar expectativas que não se traduzam em oportunidades concretas de emprego.
O detalhamento completo dos requisitos, cronograma e locais específicos de inscrição ainda está sendo estruturado pelas autoridades argentinas responsáveis pela implementação.
Esse debate ocorre em um momento em que a Argentina enfrenta desafios econômicos e sociais significativos, com elevadas taxas de desemprego juvenil e dificuldades no setor educacional.
O governo de Milei tem ampliado a discussão sobre políticas públicas para jovens, integrando propostas de capacitação que ultrapassam a simples inserção laboral e buscam combinar formação técnica, educacional e valores cívicos.
Analistas acompanham de perto a evolução dessa iniciativa, observando como a política será implementada na prática e que impacto terá sobre os jovens que hoje não participam nem do mercado de trabalho nem do sistema educacional formal na Argentina.

