MEU DEUS! Um menino sobrevive por dias ao lado dos pais falecidos após acidente em Pernambuco

O que é mais assustador: a colisão contra um cavalo solto em plena rodovia ou o fato de que ninguém notou um carro destruído numa ribanceira por quase dois dias?

 

No agreste pernambucano, um menino de quatro anos sobreviveu ao acidente que matou seus pais, Jobson Lima e Priscila Bezerra da Costa. Preso à cadeirinha, ele permaneceu consciente até ser resgatado, quando um trabalhador rural encontrou o veículo.

 

O episódio, ocorrido na BR-424, não é apenas uma história de sobrevivência. É um retrato da vulnerabilidade cotidiana de quem atravessa estradas brasileiras.

 

Rodovias federais somam mais de 60 mil quilômetros. Em muitas delas, cavalos, bois e até búfalos circulam sem contenção, transformando o asfalto em campo minado.

 

No caso da Curva da Laranjeira, onde o acidente ocorreu, a escuridão foi cúmplice. O alerta de um cavalo morto chegou à Polícia Rodoviária Federal no sábado, mas a ausência de iluminação impediu que o veículo fosse localizado.

 

Ou seja, havia sinais do desastre — mas faltou estrutura para enxergá-lo. O carro permaneceu invisível por quase 48 horas, escondido pela vegetação.

 

Nesse intervalo, um menino de quatro anos resistiu. A cadeirinha infantil, muitas vezes tratada como burocracia pelos motoristas, provou ser a linha entre a vida e a morte.

 

Não se trata apenas de sorte. Trata-se de política pública. A exigência legal do assento adequado salvou uma vida, ainda que o Estado tenha falhado em quase todos os outros aspectos.

 

O contraste é brutal: o mesmo país que obriga a cadeirinha negligencia a fiscalização das vias e a contenção de animais. Protege o passageiro, mas não garante a estrada.

 

Jobson e Priscila foram dados como desaparecidos. Seus corpos estavam a poucos metros da pista, mas fora do alcance do olhar institucional.

 

Os bombeiros só foram acionados na segunda-feira. O inquérito aberto pela Polícia Civil investigará circunstâncias óbvias: a batida contra o cavalo, o capotamento, a ribanceira. Mas a pergunta mais importante ficará de fora: por que seguimos tratando tragédias como fatalidades?

 

Cada acidente dessa natureza revela um nó estrutural: estradas sem manutenção, perímetros sem iluminação, falta de barreiras adequadas para impedir invasão de animais.

 

São mortes anunciadas, mas narradas como destino. A cada caso, lamenta-se; nunca se transforma em política de prevenção.

 

O menino de quatro anos é símbolo da resiliência individual diante de um sistema que falha coletivamente. Sua sobrevivência será celebrada. A morte de seus pais, rapidamente arquivada na estatística.

 

Mas a pergunta persiste: quantos cavalos precisarão atravessar as rodovias até que o país compreenda que acidentes assim não são acidentes — são sintomas de abandono?

 

No fundo, a estrada brasileira é metáfora do próprio Brasil: exige resistência individual para compensar a ausência de cuidado coletivo.

 

O silêncio da ribanceira em Garanhuns não foi apenas a espera de um resgate. Foi o eco de um país acostumado a enxergar tarde demais aquilo que poderia ter sido evitado.

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