Mesmo com pressão no STF, 68% dos brasileiros rejeitam liberação do aborto: o conservadorismo cresce no país

A mais recente pesquisa de opinião pública divulgada no início de 2026 revela que uma maioria expressiva da população brasileira se posiciona contra a liberação do aborto no país. O levantamento realizado pelo instituto PoderData entre 24 e 26 de janeiro aponta que 68 % dos entrevistados disseram ser contrários à liberação do procedimento, um índice que representa o maior patamar observado desde que a pergunta passou a ser feita.

De acordo com os dados, a rejeição ao avanço da liberação do aborto cresceu dois pontos percentuais em relação ao ano anterior, o que mostra uma tendência ascendente de resistência à flexibilização das leis que hoje regulam a interrupção da gravidez no Brasil.

O resultado da pesquisa contrasta com tentativas judiciais e debates públicos sobre a descriminalização e alteração da legislação que hoje permite o aborto apenas em casos restritos, como estupro, risco de vida à gestante e anencefalia fetal. Esses temas estão no centro de discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) há anos.

Apesar da pressão de alguns setores da sociedade civil e de movimentos pró-direitos reprodutivos em ampliar o acesso ao aborto, a maioria dos brasileiros demonstra apoio à manutenção do status quo legal, ou até mesmo de políticas mais restritivas.

A pesquisa também revela que apenas 22 % dos entrevistados declararam ser favoráveis à liberação ampla do aborto, enquanto uma parcela menor não soube ou não quis responder.

Os analistas políticos observam que o debate sobre a descriminalização do aborto no Brasil é influenciado por diversos fatores culturais, religiosos e históricos. A religiosidade do país, onde grande parte da população se identifica como cristã, tem forte impacto nas opiniões sobre direitos reprodutivos.

Historicamente, pesquisas anteriores já apontaram uma resistência significativa à legalização do aborto entre os brasileiros, com variações nos percentuais mas mantendo um padrão majoritário de oposição quando se trata de descriminalização ampla.

Em 2024, levantamentos semelhantes haviam mostrado que cerca de 61 % da população se opunha à liberalização da prática, o que indica que a rejeição tem aumentado de forma gradual ao longo dos últimos anos.

Os resultados também refletem divisões por perfil demográfico: homens e pessoas em faixas etárias mais elevadas tendem a apresentar taxas maiores de rejeição, embora essas variações dependam de cada estudo e metodologia usada pelos institutos.

A opinião pública sobre o aborto no Brasil é complexa e multifacetada. Em sondagens que desagregam as posições por idade, gênero e escolaridade, observa-se que a resistência à liberalização pode ser mais marcante entre grupos específicos da população.

Especialistas em opinião pública observam que temas morais e éticos, como o aborto, frequentemente apresentam resistência cultural em sociedades com valores conservadores ou religiosos predominantes, como é o caso do Brasil.

No ambiente político e jurídico, o STF já enfrentou pressões para colocar em pauta a discussão sobre descriminalização do aborto, mas essas movimentações têm sido recebidas com cautela por ministros que ponderam o impacto social de um julgamento definitivo.

O presidente do STF em 2025, ministro Luís Roberto Barroso, chegou a declarar que o país não estaria pronto para uma decisão definitiva sobre o tema, ressaltando que a apreciação poderia aprofundar ainda mais a polarização.

Enquanto isso, movimentos sociais e organizações de direitos humanos continuam a defender uma revisão das normas que atualmente criminalizam a interrupção da gravidez, alegando que a atual legislação ignora realidades vividas por muitas mulheres brasileiras.

Por outro lado, setores conservadores e grupos religiosos reforçam a importância de manter ou até reforçar mecanismos legais que protejam a vida desde a concepção, apontando para valores éticos e morais que também refletem a visão de grande parte da população.

Analistas políticos destacam que o debate sobre aborto no Brasil não é apenas jurídico, mas atravessa esferas sociais, culturais e religiosas que moldam o sentido comum do que muitos brasileiros consideram aceitável ou não em termos de legislação.

As tendências apontadas pela pesquisa PoderData indicam que, mesmo com discursos públicos e articulações em cortes superiores, a opinião da maioria tende a resistir a mudanças profundas na legislação sobre aborto no país.

Isso sugere que qualquer proposta de alteração legal enfrentará forte resistência não apenas no âmbito político e judicial, mas sobretudo no espaço da opinião pública nacional.

A discussão sobre aborto tem gerado intenso debate entre juristas, sociólogos e grupos de defesa dos direitos humanos, especialmente sobre os efeitos da criminalização e possíveis impactos de uma liberalização.

Com a maioria da população manifestando rejeição à liberação ampla do aborto, o tema permanece como um dos mais polarizadores no debate público brasileiro contemporâneo.

Especialistas afirmam que a opinião pública, em temas sensíveis, tende a variar ao longo do tempo conforme mudanças demográficas, culturais e educacionais na sociedade, mas no momento a resistência à liberação do aborto segue predominante no Brasil.

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