Um garoto de apenas sete anos se tornou símbolo de superação e paixão pelo futebol ao transformar uma adversidade em um gesto de amor ao time do coração. A história de Anthony Milani, torcedor mirim do Santos FC, ganhou repercussão após o menino vencer um grave câncer ocular e receber uma prótese personalizada com o escudo do clube estampado. O gesto, simples no olhar, reúne coragem, orgulho e uma torcida inteira atrás.
Diagnosticado com o raro tipo de câncer conhecido como Retinoblastoma em dezembro de 2020, Anthony enfrentou sessões de quimioterapia e, por fim, teve que passar pela remoção do olho direito para evitar que a doença se espalhasse. Durante esse período, o amor pelo Santos se manteve firme: ele e sua família acompanhavam jogos, mesmo em meio ao tratamento, e o clube tornou-se uma parte essencial de sua rotina emocional.
O momento marcante aconteceu quando Anthony recebeu uma prótese ocular especialmente confeccionada para ele, com o escudo do Santos pintado na íris protética. A ideia surgiu após o menino conhecer um profissional que já havia criado uma peça semelhante para um atleta paralímpico. A personalização trouxe mais do que funcionalidade — trouxe identidade.
Ao olhar pela primeira vez no espelho com a nova prótese, Anthony emocionou a família. “Muito feliz, é o time que eu amo demais e o time que me fez começar a gostar de futebol, jogar futebol”, afirmou o menino. A frase sintetiza não apenas o amor pelo clube, mas o vínculo afetivo desenvolvido ao longo da infância, mesmo no enfrentamento de uma doença grave.
O tratamento não foi fácil. Conforme relatado pela mãe do garoto, Geise Fernanda Milani, num dos momentos mais tensos ele chegou a ter uma parada cardíaca durante o tratamento — e a intervenção médica foi imediata. A retirada do olho foi a melhor alternativa para garantir sua saúde e sobreviver ao retinoblastoma.
Apesar das adversidades, o apoio incondicional da família fez toda a diferença. O pai, Elivelton Milani, também torcedor do Santos, contribuía contando as histórias do clube para Anthony, reforçando o vínculo entre ele e o time. “As vitórias que meu pai me conta… me fez ser santista também”, disse Anthony. Essa narrativa familiar reforçou a identidade do menino como “pequeno santista” antes mesmo da adversidade.
Quando a prótese foi concluída, com meses de adaptação e testes, a alegria foi compartilhada pela família e também pelo clube. A reação de Anthony ao ver o escudo estampado no olho protético viralizou nas redes sociais e despertou atenção da diretoria do Santos. O presidente do clube, Marcelo Teixeira, o convidou para viver uma experiência junto à equipe no dia do amistoso contra o Coritiba FC, no Paraná, onde o time venceu por 4 a 1.
Na viagem com a delegação, Anthony pôde subir ao avião junto ao clube, se hospedar no mesmo hotel que os jogadores e vivenciar o dia de jogo de dentro de um camarote. Ele ainda tirou fotos com atletas como os goleiros João Paulo e Gabriel Brazão, que o receberam com carinho. Para o menino, foi a confirmação de que o amor pelo Santos ultrapassa as arquibancadas — ele agora carrega o clube até em seu olhar.
Além de cumprir o sonho pessoal, a história de Anthony levanta reflexões sobre diagnóstico precoce e tratamento do retinoblastoma, câncer ocular infantil que, detectado cedo, tem boas chances de cura e preservação da visão. No Brasil, estima-se que surjam 200 a 300 casos novos por ano, a maioria antes dos cinco anos de idade.
No Brasil, instituições especializadas destacam que a detecção rápida e encaminhamento imediato são fatores essenciais para ampliar a chance de cura. A adaptação a uma prótese, seja esteticamente ou emocionalmente, exige acompanhamento multidisciplinar. A iniciativa de personalizar a prótese com o escudo de um clube esportivo traz ainda um fator motivacional para o paciente.
Para a família Milani, o episódio reforçou confiança, fé e união. A mãe lembrou que durante o tratamento, mesmo em momentos difíceis, Anthony assistia aos jogos do Santos a partir do hospital, acompanhando pela TV e falando sobre memórias do elenco histórico. “Quando o reflexo diferente no olho apareceu, corremos para a Santa Casa”, relatou a mãe.
Hoje, livre da doença – como informam os relatos da família –, Anthony vive uma nova fase. Ele faz planos simples: “Quero que o Santos seja campeão da Copa do Brasil e do Brasileirão esse ano”, afirmou. Essa declaração mostra que a paixão pelo clube segue firme e que ele olha para o futuro com esperança.
Para o Santos, a iniciativa trouxe repercussão positiva e demonstrou o impacto social que um clube pode ter além dos gramados. Atos como esse realçam a conexão entre torcedor e time, especialmente em histórias de superação. A repercussão ganhou destaque em redes sociais, gerando apoio e admiradores da trajetória de Anthony.
Mais do que futebol ou estética, a história deste garoto revela um aprendizado profundo: o corpo humano pode passar por transformações, a doença pode deixar marcas — mas a identidade, o amor, a alegria podem persistir e até se fortalecer. A prótese com o escudo não é apenas um objeto, é símbolo. É a saudade do olho perdido que agora se expressa como vínculo e afirmação.
Especialistas comentam que próteses personalizadas, quando bem adaptadas, ajudam na autoestima dos pacientes, especialmente crianças, e reduzem impactos psicológicos de perdas físicas. Neste caso, a combinação entre reabilitação ocular, afeto familiar e paixão esportiva cria uma tríade potente.
O encontro de Anthony com os ídolos proporciona um efeito multiplicador: gera inspiração para outras crianças que enfrentam doenças graves, e reforça a importância de programas de apoio, tanto no tratamento oncológico como na reabilitação funcional e emocional. O esporte, neste cenário, aparece como ferramenta de inclusão e motivação.
Em suma, a trajetória de Anthony Milani concentra o que há de mais humano no esporte: o pertencimento, a luta, a alegria. Um menino que perdeu um olho para o câncer e, ao receber uma prótese com o escudo do time que ama, se transformou em um símbolo de força e paixão. É uma história que ultrapassa os limites do gramado e entra na vida cotidiana das pessoas com leveza, coragem e verdade.
E, enquanto o Santos segue em campo, Anthony segue em sua jornada. A camisa oficial, os braçamentos com os goleiros, o olhar que agora carrega orgulho: todos os dias, ele renova esse laço. O escudo em seu olho direito é também um lembrete de que, mesmo em meio a tempestades, uma criança pode decidir levantar a cabeça — e o coração — para o que ama.
Assim, o que era um diagnóstico grave tornou-se um momento de virada, e o que era perda se transformou em celebração. O futebol, a família, a prótese com o escudo: juntos, tecem uma narrativa de resiliência. E para o menino santista, o futuro é um campo onde ele já sabe jogar a vitória.

