Menina estudou somente em escola pública durante a vida, passa em 10 universidades internacionais

SÃO PAULO – No cenário da educação brasileira de 2026, o nome de Rhayssa Braz destaca-se como um manifesto vivo de que a geografia da periferia não precisa ser o limite para a cartografia dos sonhos. Criada em um lar sustentado pelo esforço hercúleo de sua mãe e de sua avó paterna — que se desdobravam em até três empregos cada para garantir o básico —, a jovem paulista de 18 anos transformou a escassez de recursos em uma estratégia de ocupação global.

Sem nunca ter pisado em um cursinho particular e vinda inteiramente da escola pública, Rhayssa conquistou uma das vagas mais disputadas do mundo: uma parceria acadêmica entre os Emirados Árabes e os Estados Unidos.

A trajetória de Rhayssa foi marcada por resiliência diante de portas que se fecharam por questões financeiras. Antes da grande vitória, ela chegou a vencer um concurso de redação cujo prêmio era uma bolsa na prestigiada Universidade de Cambridge, no Reino Unido. No entanto, a falta de verba para custear os custos logísticos e de manutenção a impediu de embarcar.

Em vez de se entregar ao desânimo, a jovem utilizou a frustração como motor para uma ofensiva acadêmica sem precedentes, mergulhando em um processo de pesquisa solitário e exaustivo.

Enquanto a maioria dos estudantes aplica para cerca de 20 instituições através de plataformas unificadas, Rhayssa decidiu dobrar a aposta para garantir sua saída rumo ao conhecimento internacional. Sozinha, ela pesquisou e submeteu sua candidatura a 44 processos seletivos em universidades estrangeiras. “Eu fui pesquisando. Apliquei para 44 para garantir que eu ia ser admitida”, explica a jovem, que se tornou sua própria mentora, coordenadora pedagógica e tradutora durante meses de dedicação absoluta.

O esforço resultou em uma conquista estatisticamente rara: Rhayssa foi um dos apenas quatro brasileiros aceitos no programa conjunto entre a Zayed University e a Minerva University. Este modelo educacional é conhecido por sua itinerância e rigor, preparando líderes globais através de uma imersão em diferentes culturas e contextos econômicos. Para uma menina que cresceu vendo o mundo através das janelas de São Paulo, a aprovação significou a abertura de fronteiras que sua árvore genealógica nunca havia atravessado.

A revelação da aprovação ocorreu em uma reunião virtual que Rhayssa recorda com uma mistura de humor e emoção profunda. Enquanto outros candidatos mantinham a compostura, a paulista não conteve a espontaneidade de quem sabe o peso de cada “sim” conquistado. “Eu desfaleci ali na câmera”, conta ela, descrevendo o momento em que o representante do programa anunciou os nomes dos novos alunos. Aquele instante selou o fim de uma era de privações e o início de uma jornada diplomática e intelectual.

O “e daí?” sociológico desta trajetória reside na Democratização da Excelência Acadêmica. Em 2026, o caso de Rhayssa é utilizado para discutir como o talento nas periferias brasileiras é frequentemente subestimado por falta de orientação.

Ela provou que a inteligência estratégica e a capacidade de escrita desenvolvidas na escola pública são competitivas em nível mundial, desde que o estudante possua a ferramentas de busca e a persistência necessária para navegar na burocracia das admissões internacionais.

A análise técnica do programa Zayed-Minerva destaca que o currículo foca em Pensamento Crítico e Inteligência Prática. Rhayssa não será apenas uma aluna sentada em uma sala de aula; ela participará de fóruns de decisão e projetos reais em cidades globais, aplicando o conhecimento para resolver problemas complexos.

Sua vivência em um lar de mulheres trabalhadoras em São Paulo conferiu a ela uma “visão de campo” que alunos mais privilegiados muitas vezes não possuem, tornando seu perfil extremamente atraativo para universidades que buscam diversidade de pensamento.

Para a mãe e a avó de Rhayssa, a vitória da jovem é a colheita de uma semeadura feita com muito sacrifício. Os três empregos de cada uma foram o alicerce silencioso que permitiu que ela tivesse o tempo mínimo necessário para estudar e pesquisar. Rhayssa reconhece que seu diploma internacional levará, simbolicamente, as assinaturas dessas duas mulheres que lutaram para que ela pudesse olhar para além do horizonte imediato.

A estrutura de apoio que Rhayssa construiu sozinha serve de guia para outros jovens em 2026. Ela demonstra que, na era da informação, o acesso a bolsas de estudos globais é uma questão de “garimpo digital” e rigor metodológico. Ao se recusar a depender de sites de coletânea e buscar cada oportunidade individualmente, ela aumentou exponencialmente suas chances de sucesso, transformando a probabilidade estatística em realidade concreta.

A reflexão final que a trajetória de Rhayssa Braz nos propõe é sobre o potencial desperdiçado de uma nação. Quantas “Rhayssas” o Brasil perde todos os anos por falta de um direcionamento que mostre que Cambridge ou Minerva são lugares possíveis? Ela nos ensina que a educação é a única passagem que não pode ser confiscada e que o sonho de conhecer o mundo começa com a coragem de preencher o primeiro formulário, mesmo quando não se tem o dinheiro para a passagem.

Por fim, Rhayssa prepara suas malas para os Emirados Árabes, levando consigo a garra paulistana e a doçura de quem venceu pelo intelecto. Ela provou que o “não” é apenas um ponto de partida para quem está disposto a tentar outras 43 vezes.

Enquanto ela embarca para sua nova vida acadêmica em 2026, a mensagem é clara: o mundo é pequeno demais para uma mente que decidiu que não aceitaria menos do que o infinito.

A trajetória desta jovem estudante é o fechamento perfeito para a ideia de que a educação pública pode, sim, projetar cidadãos para o mundo. Rhayssa Braz transformou a falta de recursos em excesso de determinação. Que seu exemplo continue a circular por todas as escolas do país, lembrando a cada aluno que, com um computador, acesso à internet e uma vontade inabalável, qualquer lugar do planeta pode ser a sua próxima sala de aula.

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