A confirmação de uma falha profissional por parte de uma médica provocou repercussão no município de Vale Sereno, após a morte de uma criança de seis anos durante um tratamento considerado simples. A admissão ocorreu durante depoimento prestado às autoridades responsáveis pela investigação.
O caso teve início quando os pais procuraram atendimento em uma unidade de pronto-atendimento local, relatando sintomas que incluíam febre persistente e mal-estar. A equipe plantonista avaliou o quadro e encaminhou a criança para avaliação pediátrica.
A médica responsável pelo atendimento, identificada como Ana Ribeiro*, afirmou ter seguido o protocolo que utiliza habitualmente em situações semelhantes. Entretanto, durante a análise do prontuário, inconsistências foram identificadas na prescrição.
Na oitiva formal, a profissional reconheceu que pode ter cometido um equívoco ao registrar a dosagem do medicamento indicado. Segundo relato apresentado à equipe investigativa, ela afirmou que “houve uma falha humana no momento da anotação”.
A declaração surpreendeu familiares, que desde o início cobravam esclarecimentos sobre a evolução rápida do quadro clínico da criança após a administração da medicação. Eles acompanham cada etapa das apurações.
A unidade de saúde onde ocorreu o atendimento abriu procedimento interno para verificar possíveis falhas operacionais. Representantes da instituição informaram que os protocolos serão reavaliados.
De acordo com informações preliminares, a equipe médica identificou a alteração no prontuário somente após a piora súbita da criança, o que levantou questionamentos sobre a revisão de anotações durante o atendimento.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que acompanha o caso e aguarda o parecer final da comissão interna. O órgão disse que “todas as medidas administrativas necessárias serão adotadas assim que o relatório for concluído”.
Especialistas consultados explicam que a administração incorreta de medicamentos pode provocar efeitos adversos graves, especialmente em crianças. A margem de erro é considerada pequena e exige atenção rigorosa.
Ainda de acordo com os profissionais, a revisão das prescrições é etapa fundamental no atendimento pediátrico. Erros dessa natureza podem ocorrer, mas precisam ser identificados de forma precoce.
Familiares afirmam que pretendem seguir com medidas judiciais após a conclusão do inquérito. O advogado da família declarou que “o objetivo é esclarecer os fatos e garantir que situações semelhantes não se repitam”.
A médica envolvida permanece afastada do trabalho até que a sindicância seja finalizada. Em nota enviada à imprensa, ela afirmou que lamenta profundamente o ocorrido e que seguirá colaborando com as autoridades.
A comunidade local reagiu com pesar à morte da criança, que era conhecida na vizinhança. Moradores organizaram uma vigília silenciosa em frente à unidade de saúde.
O Conselho Regional de Medicina também instaurou procedimento para acompanhar o caso. A entidade avalia se houve negligência ou infração ética no atendimento prestado.
A investigação policial segue em andamento. O delegado responsável informou que novas testemunhas serão ouvidas nos próximos dias.
O laudo pericial, que ainda está em elaboração, será essencial para determinar se a dosagem incorreta teve relação direta com o desfecho fatal.
Enquanto isso, a família tenta lidar com a perda. Em declaração breve, a mãe disse que “espera apenas justiça e clareza sobre o que aconteceu”.
O caso reacende debate sobre a segurança em atendimentos emergenciais. Especialistas defendem a revisão de protocolos como forma de prevenir erros.
A discussão também tem sido ampliada por entidades de defesa dos pacientes, que cobram maior rigor nas auditorias internas de unidades públicas e privadas.
A apuração deve ser concluída nas próximas semanas. Somente após o parecer final será possível determinar responsabilidades e eventuais medidas disciplinares.
O episódio continua mobilizando autoridades e moradores, que aguardam um desfecho claro para um caso que expôs fragilidades do sistema de atendimento e levantou questionamentos sobre práticas adotadas na saúde municipal.

