Quem tem o direito de nomear um filho: os pais ou a opinião pública?
A polêmica em torno da escolha de Mariana Rios para o nome de seu filho, Palo, revela mais sobre nós como sociedade do que sobre a apresentadora.
O detalhe aparentemente banal — um nome — foi suficiente para mobilizar julgamentos, ataques e ironias nas redes sociais.
No entanto, quando um gesto íntimo e simbólico desperta tanta hostilidade, é sinal de que algo mais profundo está em jogo.
Nomes não são apenas combinações de letras. Eles carregam histórias, afetos e projetos de futuro.
Ao atacar o nome, os críticos, na verdade, atacam a liberdade de criar e de sonhar.
Mariana Rios, ao defender sua escolha, expôs um retrato incômodo: o de uma sociedade que transformou a internet em tribunal permanente.
Um tribunal que não busca justiça, mas catarse coletiva através do julgamento alheio.
É curioso perceber que, enquanto muitos pregam diversidade e respeito, são incapazes de aceitar uma decisão pessoal que não os afeta em nada.
A reação contra Palo expõe uma contradição: defendemos pluralidade, mas rejeitamos singularidade.
O fenômeno não é novo. Pais famosos — e até anônimos — já enfrentaram críticas por nomes considerados “estranhos” ou “diferentes”.
Mas o caso ganha proporção porque revela a fragilidade emocional de uma era em que a felicidade do outro incomoda.
O que há por trás dessa ânsia de atacar? Inveja, frustração, carência de sentido?
Mariana intuiu uma resposta: “as pessoas estão tristes, sem amor e sem esperança”.
Talvez o incômodo com o nome seja apenas um disfarce para um mal-estar coletivo mais amplo.
Em vez de compreender o significado íntimo do gesto, reduzimos tudo à chacota, como se o sarcasmo fosse prova de inteligência.
Mas inteligência de verdade se manifesta na capacidade de conviver com a diferença — inclusive de nomes.
A escolha de um nome deveria ser celebrada como ato de autonomia e amor, não julgada como desvio de normalidade.
Se continuarmos assim, qual mensagem deixamos às próximas gerações? Que a liberdade individual só é válida quando segue o padrão da maioria?
O episódio, aparentemente pequeno, deixa uma grande lição: nossa intolerância cotidiana revela o quanto ainda estamos distantes de uma convivência genuinamente plural.
E a pergunta que fica é: estamos preparados para aceitar que a beleza do mundo talvez resida exatamente no que foge ao comum?

