Mar volta a fazer barulho na madrugada de sábado em Santos e mistério continua

A madrugada do último sábado protagonizou um fenômeno incomum na orla de Santos (SP) que deixou moradores intrigados e em busca de explicações. Por volta das 2h30, diversas pessoas relataram ter ouvido um ruído profundo, como um ronco metálico, vindo do mar ou debaixo dele, que evocou a expressão popular “o mar que respira”.

O som, descrito como “algo gigantesco se movendo sob as águas”, foi percebido em bairros como Ponta da Praia, Gonzaga, José Menino e até na região do Estuário. Em muitos casos, quem ouviu afirmou que não parecia o ruído típico de navios ou da dinâmica habitual portuária e sim algo que evocava presença, movimento ou até respiração.

Moradores mais antigos da cidade afirmam já conhecer o fenômeno, popularmente chamado “som do mar que respira”, que emergiria em madrugadas específicas quando a combinação entre maré, vento e geologia permitir que o oceano “exale” ruídos incomuns. No entanto, o grau de intensidade desta última ocorrência foi considerado um dos mais altos já registrados. movimentações fora do padrão poderiam ter provocado o barulho. A resposta oficial foi negativa: não houve qualquer registro de atividade extraordinária na madrugada.

Com os navios descartados como fonte, cresce o mistério. Especialistas em acústica e geofísica apontam que há fenômenos subaquáticos, naturais ou provocados por instalações de petróleo e gás na região da Bacia de Santos, que podem gerar ruídos de baixa frequência difíceis de localizar e identificar.

Para muitos usuários nas redes sociais, o episódio reforça a sensação de que há algo além do que se vê: “Era como se algo estivesse respirando… mas enorme. Não parecia barco nem vento”, relatou um morador do Gonzaga. Outro relato: “Já ouvi este som outras vezes, mas dessa vez foi mais forte. Parecia que vinha de longe, mas também debaixo da terra. Arrepia.”

Além dos relatos auditivos, circulam nas redes sociais vídeos amadores captados por moradores que buscam evidências visuais ou sonoras do fenômeno. O compartilhamento em massa contribuiu para o tema ganhar repercussão fora da costa santista. A comunidade ficou em alerta, curiosa e preocupada ao mesmo tempo.

A junção de relatos antigos com esta nova ocorrência reacende uma reflexão sobre como percebemos o ambiente marinho e o que dele sentimos. O mar, que muitas vezes é visto como silencioso à noite, mostrou nesta madrugada outro perfil — e provocou desconforto entre quem estava ouvindo.

Do ponto de vista técnico, ruídos submarinos de baixa frequência já são objeto de estudo em zonas costeiras próximas a áreas de exploração petrolífera ou de intenso tráfego marítimo. Na Bacia de Santos, atividades de monitoramento acústico apontam para sinais contínuos entre 63 Hz e 125 Hz que podem estar associados a fontes humanas ou naturais.

Apesar das hipóteses científicas, nenhuma conclusão definitiva foi divulgada até o momento. A ausência de falhas mecânicas, de navios incomuns ou de eventos meteorológicos extremos torna mais difícil a identificação. Assim, permanece a sensação de que algo escapou ao monitoramento convencional.

Enquanto isso, a evocação popular do “som que respira” ganha força. Moradores com décadas de experiência na cidade afirmam que épocas de maré alta ou ventos específicos eram precedidas por esse tipo de som, embora nunca com tamanha intensidade e visibilidade de compartilhamento online.

O fenômeno, de certa forma, une sensações: a do medo — diante do incomum — e a da curiosidade — diante do inesperado. A percepção de um ruído que parece vir “debaixo da terra” ou “do fundo do mar” toca em muito do que é invisível e impalpável em nosso entorno imediato.

Para autoridades municipais e pesquisadores, o episódio abre caminho para buscar registros mais eficientes: sensores que captem ruído submarino, campanhas de monitoramento comunitário, parcerias entre universidades e órgãos ambientais. A coleta de dados, disseram especialistas, é fundamental para tornar fenômenos assim menos misteriosos.

Do lado da comunidade local, o que ficou foi o relato compartilhado, a livraria de memórias pessoais que se reativou: “eu ouvi isso”, “não era vento”, “era algo movendo-se no mar” — frases que circulam entre moradores das praias de Santos como se fossem advertências para futuras madrugadas.

Em termos de comunicação digital, o impacto é claro: episódios como esse viralizam rapidamente e geram debate entre mistério, ciência e folclore. A cidade que vive do turismo e da convivência com o mar experimenta agora uma nova narrativa sobre o oceano, menos contemplativa e mais inquietante.

Para quem busca explicação, ainda que provisória, a combinação de fatores sugere que tanto elementos naturais (como correntes, marés próximas à ruptura de sedimentos) quanto humanos (uso da costa, barulho submarino de infraestrutura) podem convergir para produzir ruídos estranhos — mas identificar qual predomina exige estudo.

Enquanto isso, os moradores de Santos permanecem em guarda: se na próxima madrugada o “som do mar que respira” retornar, muitos estarão prontos para ouvir, gravar e relatar. O mar não parece estar mais apenas como pano de fundo — ele voltou a se manifestar.

Por fim, este episódio reafirma que ambientes que julgamos familiares e seguros — como a orla de uma cidade litorânea — podem ainda guardar segredos sonoros que nos lembram da presença de forças naturais ou tecnológicas invisíveis. O mar, na madrugada de Santos, ficou mais audível.

E a pergunta permanece: o que exatamente fez aquele ruído, nesta madrugada, tão intenso? A resposta ainda não está clara, mas o que é certo é que Santos ouviu alguma coisa — e ninguém sabe exatamente o que foi.

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