Mãe volta pra escola em que a filha partiu e revela decisão

O retorno de Dayana à escola onde sua filha Alice estuda foi marcado por uma emoção intensa, reabrindo feridas na família. A fotógrafa Dayana Brasil voltou ao CEV, instituição que acolhia os filhos gêmeos dela, com o propósito de recolher os pertences da menina que se foi tragicamente.

Alice completou quatro anos de idade apenas um dia antes da fatalidade. Na manhã de 5 de agosto, enquanto estava na brinquedoteca da escola, uma penteadeira caiu sobre ela. Seu irmão gêmeo presenciou tudo, enquanto o gesto de rotina se transformava em um momento de angústia.

O estado de saúde de Alice foi rapidamente acionado, e ela chegou a ser transportada por equipe médica. Tentativas de reanimação foram realizadas na ambulância, mas infelizmente a menina acabou falecendo. O laudo médico apontou edema cerebral difuso e traumatismo craniano como causa da morte.

Ao retornar à escola, Dayana estava acompanhada por familiares, incluindo seu cunhado. A missão era simples, mas devastadora: recolher os pertences da filha e encarar o vazio deixado pela ausência.

No local, ela desabafou com dor e franqueza: “A memória continua, ela é presente no pensamento da gente o tempo inteiro. Eu sinto o cheiro da minha filha, eu escuto a voz da minha filha, o tempo inteiro. E eu não vou parar, não posso parar, a memória dela é muito forte. Porque ela era uma menina muito marcante, muito especial, eu não vou parar.”

Apesar da tragédia, ninguém da escola havia entrado em contato pessoalmente, mas houve mensagem do presidente do CEV enviada por celular, gesto considerado insuficiente diante da gravidade do ocorrido.

A decisão da família foi definida com firmeza e dor: a continuidade do filho gêmeo, Arthur, no mesmo ambiente foi considerada inviável. Dayana e seu companheiro, o major Claudio Sousa, optaram pela transferência imediata.

O tio paterno de Alice, presente no momento, representou a família ao comparecer à escola e apresentar a certidão de óbito. Ele solicitou o cancelamento da matrícula da filha e a documentação necessária para a transferência de Arthur: “a família não põe mais os pés aqui”.

O desabafo do tio expressou o peso daquele instante: o pai, devastado, busca forças onde parece que não restam. Ele chora ao lembrar o filho que chora pela irmã nos braços do pai, envolto em perguntas sem resposta.

Sob suas camisetas havia uma mensagem clara e dolorosa: “E se for seu filho amanhã? Justiça!”. A mochila de Alice, retornando intacta para casa, se tornou símbolo de sonhos interrompidos. Como disse Dayana, “A mochila volta para casa. Alice, não. O que deveria carregar sonhos, hoje carrega saudade. Nenhuma mãe deveria voltar a escola sem o filho. A ausência pesa mais que qualquer mochila. Depois da tragédia, restou apenas o silêncio e a mochila.”

Além do luto, a família empreende um esforço por mudanças concretas. Eles defendem a criação de uma lei que garanta a segurança de móveis em locais frequentados por crianças, evitando futuros acidentes semelhantes.

Na reflexão do professor Carlos Alberto, “O acidente que aconteceu com a criança Alice é o reflexo da ausência de uma cultura preventiva em nosso país e em nosso estado. As pessoas não levam a sério laudos, ou os laudos de inspeção são apenas proforma…”

Ele propõe que a memória de Alice seja perpetuada por meio de uma legislação – a “lei Alice Brasil” – que imponha inspeções rigorosas e responsabilidade real em ambientes como escolas, parques e espaços públicos frequentados por crianças.

O professor conclui: “O que aconteceu com ela é impensável, portanto, pelo menos que nós tenhamos a responsabilidade de eternizá-la através de uma lei… O que aconteceu com ela não pode ser corrigido, mas a gente precisa adotar uma cultura de segurança em nosso estado e em nosso país.”

A volta à escola, por mais breve que tenha sido, reafirma a urgência de medidas preventivas. A dor se mistura à esperança de que a perda não seja em vão – que gere políticas reais de proteção.

O incidente revela o quão frágeis são as estruturas às quais confiamos a segurança dos nossos filhos. A casa de estudo para muitos representa um segundo lar, mas pode tornar-se um palco de tragédia.

Desde o acidente, o silêncio paira pesado sobre corredores que antes ecoavam risos infantis. A lembrança de Alice — sua voz, seu cheiro, seu sorriso — segue viva na comunidade afetada.

A perda impõe necessidade urgente de cultura preventiva e reconhecimento de responsabilidades — tanto administrativas quanto legais — para proteger vidas.

A família de Alice segue unida na dor, ainda buscando respostas e sentido para o ocorrido, enquanto reorganiza sua realidade sem uma criança que trouxe tanta luz em seus breves quatro anos.

Esse episódio serve como alerta para instituições e sociedade — o afeto não basta quando falta segurança. Que se possa transformar luto em ação efetiva.

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