A Lupo oficializou a inauguração de sua primeira fábrica instalada fora do território brasileiro, localizada em Ciudad del Este, no Paraguai, em um movimento estratégico que pretende tornar a operação mais leve e competitiva. A abertura marca uma mudança relevante no planejamento industrial da empresa, que busca alternativas para enfrentar os obstáculos que se acumulam no ambiente produtivo nacional.
Durante o anúncio, Liliana Aufiero, CEO da marca, detalhou os motivos que levaram a companhia a investir no exterior. Ela afirmou que a decisão não foi essencialmente motivada pelo desejo de internacionalização, mas por um cenário interno que tem imposto limitações crescentes. Em suas palavras, a mudança foi praticamente consequência das condições brasileiras.
Segundo Liliana, os custos associados à operação no Brasil tornaram a continuidade de determinados processos inviável. A executiva atribuiu a transferência à soma de encargos elevados, complexidade tributária e entraves estruturais que, segundo ela, comprometem a competitividade da indústria têxtil nacional.
A CEO foi enfática ao descrever o contexto que levou ao novo posicionamento da empresa. “Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai”, declarou Liliana, destacando que a migração produtiva reflete um movimento de sobrevivência diante do que avalia como um ambiente desfavorável.
A diferença nos custos operacionais entre os dois países foi um dos principais pontos apresentados pela executiva. De acordo com Liliana, operar em Ciudad del Este representa uma economia média de 28% em relação ao que a empresa gastaria para manter o mesmo nível de produção no Brasil, o que, para ela, inviabiliza qualquer disputa equilibrada com concorrentes internacionais.
A nova fábrica nasce com a proposta de aliviar parte das pressões financeiras que a companhia enfrenta no país de origem. A redução de despesas, segundo a Lupo, permitirá ampliar investimentos em tecnologia e acelerar a produção sem comprometer o fluxo de caixa.
Além do impacto econômico, a empresa aposta em uma logística mais ágil para atender diferentes mercados da América do Sul. A região de fronteira onde a unidade está instalada facilita a circulação de produtos e pode abrir espaço para novas parcerias comerciais.
Apesar da mudança, a Lupo reforça que não pretende abandonar o Brasil. A empresa, que possui trajetória centenária no país, afirma que continuará com parte significativa da produção em solo brasileiro, embora admita a necessidade de flexibilizar sua estrutura para se ajustar à nova realidade.
A decisão acende novamente o debate sobre a competitividade da indústria brasileira. Para Liliana, o que ocorre com a Lupo não é um caso isolado, mas um reflexo das dificuldades enfrentadas por diversos setores produtivos que, segundo ela, “têm encontrado mais barreiras do que incentivos”.
A executiva defende que reformas estruturais são essenciais para evitar que outras companhias sigam o mesmo caminho. Ela aponta que a combinação entre carga tributária elevada e custos trabalhistas representa um gargalo permanente que limita a expansão das fábricas nacionais.
Internamente, a instalação no Paraguai também permitirá testar novos modelos de produção. A empresa acredita que a flexibilidade regulatória, o ambiente de negócios simplificado e a competitividade em energia e mão de obra podem abrir espaço para inovações industriais.
A unidade recém-inaugurada iniciará suas operações focada em itens de alta demanda, priorizando linhas que exigem grande escala e agilidade de produção. A direção avalia que esse movimento trará impacto direto na capacidade de reposição rápida para lojistas e distribuidores.
Liliana destaca ainda que a internacionalização pode fortalecer a presença da marca em mercados onde a Lupo tem expandido nos últimos anos. A infraestrutura da nova fábrica foi planejada para suportar crescimento gradual, permitindo que a empresa reaja de maneira mais eficiente às demandas externas.
Mesmo com a mudança estratégica, a executiva reconhece que o processo não foi simples. Ela afirma que deixar de concentrar toda a produção no Brasil exigiu reflexão profunda e readequação de processos internos, mas considera que a medida era necessária para garantir sustentabilidade no longo prazo.
A empresa ressalta que seguirá investindo em geração de empregos no país, embora admita que a abertura de novas unidades nacionais dependerá da evolução do ambiente econômico e regulatório. A prioridade, segundo Liliana, é manter o equilíbrio financeiro e assegurar que a marca continue crescendo de forma saudável.
O cenário externo, considerado mais favorável para o setor têxtil, se mostrou determinante para o avanço do projeto no Paraguai. A simplificação dos trâmites para abrir e operar fábricas foi outro argumento citado pela direção da Lupo.
No mercado brasileiro, especialistas avaliam que o movimento da empresa pode pressionar autoridades e setores produtivos a discutirem maneiras de recuperar a competitividade industrial perdida nas últimas décadas. A migração de parte da produção é vista como um sinal de alerta.
O caso também reacende a discussão sobre políticas de estímulo à indústria nacional. Para empresários, a permanência de um ambiente de custos elevados tende a incentivar outros grupos a buscarem alternativas similares em países vizinhos.
Liliana reforçou que o objetivo da Lupo é preservar sua força no mercado brasileiro, mas assegura que decisões estratégicas precisam acompanhar as mudanças econômicas globais. Ela afirma que a empresa seguirá avaliando cenários e ajustando sua estrutura conforme necessário.
Com a nova planta em operação, a marca inicia uma fase de testes e integração entre as unidades. A expectativa é de que os primeiros resultados positivos sejam percebidos rapidamente, especialmente na redução de gastos operacionais.
A direção da Lupo finaliza afirmando que a medida representa um passo importante para o futuro da empresa. Para a CEO, o desafio agora será equilibrar a expansão internacional com a tradição construída no Brasil, garantindo que a marca siga relevante e competitiva em um mercado cada vez mais exigente.

