A sanção presidencial da lei que isenta do Imposto de Renda (IR) Pessoas Físicas quem ganha até R$ 5 mil por mês marca o cumprimento de uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representa um alívio fiscal significativo para milhões de trabalhadores de classe média baixa. A medida entra em vigor alterando as faixas de tributação e injetando diretamente mais recursos na economia, funcionando como um motor de consumo e uma política de redistribuição de renda.
A isenção para quem ganha até R$ 5 mil é alcançada através de um ajuste estratégico na tabela e na dedução simplificada.
O valor da isenção direta (a primeira faixa da tabela) é fixado em um patamar inferior (geralmente R$ 2.824,00). O valor de R$ 5 mil é atingido pela aplicação da dedução simplificada mensal de R$ 2.176,00.
Isenção Real: O teto de isenção direta é atualizado.
Dedução Simplificada: O contribuinte pode optar por uma dedução simplificada fixa que, quando somada ao novo teto de isenção, garante que quem recebe R$ 5.000,00 não pague nada de IR.
Essa estrutura legal complexa permite que o governo mantenha a progressividade da tabela em faixas mais altas, enquanto garante o benefício prometido à classe de renda média.
O Impacto na Economia e na Renda Familiar
A principal consequência dessa medida é o ganho real no poder de compra dos trabalhadores. O imposto que antes era retido passa a circular na economia, principalmente no consumo de bens e serviços básicos.
Estímulo ao Consumo: A injeção de renda direta nas famílias é uma forma de estímulo fiscal keynesiano, visando acelerar o crescimento econômico pela demanda.
Redução da Desigualdade: A medida tem um forte caráter de redistribuição de renda, concentrando o alívio fiscal nas camadas mais vulneráveis à inflação e ao custo de vida.
O ceticismo nos obriga a lembrar que o custo da isenção para os cofres públicos é alto, mas é justificado pela visão de que o aumento do consumo e o bem-estar social superam a perda de arrecadação.
A sanção final da lei permite ao Presidente Lula cumprir uma de suas promessas de campanha mais simbólicas. A reforma da tabela do IR, que estava defasada há anos, era uma reivindicação antiga de economistas e da sociedade civil.
O “e daí” dessa sanção é o legado político. Ao garantir a isenção de forma gradual, o governo estabelece uma marca social importante, contrastando com a percepção de que o sistema tributário brasileiro penaliza desproporcionalmente a renda do trabalho em detrimento de grandes fortunas e lucros. A isenção é um passo em direção a um sistema tributário mais justo e progressivo, um debate que se aprofundará com a discussão sobre a tributação de dividendos e grandes patrimônios.
A tabela do IR não era corrigida pela inflação há muitos anos, o que significava que trabalhadores com renda fixa estavam, na prática, pagando mais imposto real a cada ano, fenômeno conhecido como “inflação silenciosa” do IR. A nova lei corrige essa distorção para a base da pirâmide.
O próximo desafio do governo será manter a correção da tabela ao longo dos anos para evitar que o aumento da inflação volte a corroer o teto de isenção, anulando o benefício.
A nova faixa de isenção coloca o Brasil em um patamar de alívio fiscal para a baixa renda mais competitivo em comparação com outras economias desenvolvidas e em desenvolvimento.
A conversão da Medida Provisória em Lei com o apoio do Congresso demonstra a articulação política do Executivo para aprovar medidas de impacto social.
Os contribuintes que se enquadram na nova faixa de isenção continuarão obrigados a apresentar a Declaração de Ajuste Anual se atenderem a outros critérios de obrigatoriedade (como bens, investimentos ou renda rural).
A medida é vista como um sinal de que o Brasil está se concentrando em políticas de combate à desigualdade e de bem-estar social.
O Impacto nos Municípios
A redução na arrecadação do IR (que é federal) impacta o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o que pode exigir compensação ou ajuste nos repasses futuros.
O Foco no Trabalho
A lei é focada na tributação da renda do trabalho, um pilar central das políticas econômicas do governo atual.

