Lula recebe título de Doutor em Moçambique fala que é obcecado por educação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na última segunda-feira (24) o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Pedagógica de Maputo (PUM), em Moçambique. A homenagem ocorreu no contexto das celebrações dos 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique.

A honraria reconhece oficialmente as contribuições de Lula nas áreas de ciência política, desenvolvimento e cooperação internacional, bem como o apoio histórico do Brasil ao avanço da educação e da ciência moçambicanas.  A outorga marca a 42ª distinção honoris causa recebida pelo ex-metalúrgico — superando o número de títulos concedidos a Paulo Freire.

Durante a cerimônia, o reitor da PUM, Jorge Ferrão, destacou que mais de 30% dos quadros de alto escalão científico da universidade — mestres e doutores — foram formados em instituições de ensino superior brasileiras, graças a programas de cooperação firmados durante mandatos de Lula. Segundo ele, esse legado fortalece o futuro científico e acadêmico de Moçambique.

Também foi lembrado que a parceria entre Brasil e Moçambique inclui ações como o chamado “Projeto Sonho”, iniciativa de educação à distância voltada a professores do ensino primário e secundário moçambicanos, fruto de colaboração acadêmica bilateral.De acordo com a universidade, a cooperação se estende a iniciativas como a formação de jovens, inclusive de comunidades indígenas brasileiras, para troca de experiências culturais e educacionais.

Em seu discurso, Lula afirmou que a educação representa para ele “uma obsessão”. Ele lembrou das privações de sua própria juventude — de não ter tido a oportunidade de estudar — e reforçou que, para garantir dignidade e igualdade de oportunidades, a educação não deve ser vista como gasto, mas como o “melhor investimento” que um governo pode fazer.

“Eu sei quantos abusos a gente sofre por não ter tido a oportunidade [de estudar]. É por isso que a educação, para mim, é uma obrigação”, declarou Lula, emocionando a plateia presente à cerimônia. Ele ressaltou que a formação acadêmica e profissional eleva a dignidade das pessoas e oferece oportunidades que vão além de simplesmente sobreviver, abrindo caminhos para mobilidade social e uma vida mais digna.

Ao citar o histórico de Brasil e África, o presidente enfatizou que o Brasil deve grande parte de sua identidade ao continente africano, cujo legado cultural, social e humano moldou a alma brasileira. Para ele, a cooperação internacional entre países do Sul Global deve se basear em solidariedade, respeito mútuo e reconhecimento da soberania de cada nação.

Lula também abordou o tema da fome global e desigualdades estruturais. Segundo ele, a produção mundial de alimentos seria suficiente para alimentar toda a população, e a persistência da fome seria resultado da “falta de vergonha na cara de quem governa o mundo”. Com essas palavras, criticou decisões políticas que perpetuam injustiças e ressaltou o papel do Estado em promover justiça social.

A cerimônia marcou não apenas uma homenagem individual, mas também o símbolo de uma reconexão histórica entre Brasil e Moçambique, celebrando décadas de cooperação, trocas culturais e fortalecimento institucional, especialmente no campo da educação e ciência.

Além disso, o título reforça o perfil de Lula como um líder que valoriza parcerias internacionais e políticas de inclusão social, baseadas na convicção de que o acesso à educação é fundamental para construir sociedades mais justas e igualitárias.

A distinção também reacende o debate sobre a importância das relações entre países do Sul Global, sublinhando que a cooperação internacional pode servir como instrumento de desenvolvimento, fortalecimento institucional e reparação histórica.

Em suas falas, Lula deixou claro que a honraria representava mais do que um título acadêmico: para ele, era uma reafirmação de compromissos com dignidade, igualdade e oportunidades para os mais vulneráveis — numa retórica que busca transformar símbolos em políticas reais.

A escolha de Moçambique para conceder o título revela também o peso simbólico de relações históricas entre os dois países, marcadas por laços culturais, de ancestralidade e de cooperação econômica e educacional. Essa homenagem se soma a outras concedidas anteriormente em diversas instituições nacionais e internacionais, consolidando Lula como o brasileiro vivo com maior número de títulos honoris causa.

Ao longo de sua carreira política, o presidente concentrou esforços na expansão do acesso à educação no Brasil — com criação de universidades, programas de inclusão social e incentivo à ciência como motor de desenvolvimento. A honraria moçambicana reforça esse legado em escala internacional.

A cerimônia também contou com declarações emocionadas e carregadas de simbolismo, quando Lula disse sentir-se “igual” aos moçambicanos presentes e expressou que a homenagem o tocou de forma única, mesmo tendo recebido outros títulos similares no passado.

Para Moçambique, a concessão simboliza reconhecimento de décadas de cooperação com o Brasil e reforça o compromisso universitário com a formação de pessoal qualificado, o fortalecimento institucional e a internacionalização da pesquisa científica.

Este novo título de honraria internacional pode também reacender discussões sobre o papel do Brasil no contexto global de solidariedade entre países em desenvolvimento, especialmente no que diz respeito à educação, ciência e superação de desigualdades históricas.

Independentemente das controvérsias políticas que envolvem o presidente, o reconhecimento da Universidade Pedagógica de Maputo representa um marco simbólico: uma ponte entre nações com histórias entrelaçadas, uma valorização da educação como motor de transformação, e a celebração de uma trajetória marcada por compromisso com a justiça social.

A distinção concedida nesta segunda-feira — a 42ª honoris causa de sua vida — confirma que o nome de Lula permanece fortemente ligado a debates sobre educação, cooperação internacional e desenvolvimento humano, reafirmando, sobretudo, sua convicção de que educação e igualdade de oportunidades são fundamentos indispensáveis para a dignidade humana.

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