A política internacional acaba de nos entregar um roteiro que nenhum roteirista de Hollywood seria capaz de prever: Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump sentados à mesma mesa para discutir como prender “magnatas do crime”.
A declaração de Lula, direto da Índia nesta última semana de fevereiro de 2026, não é apenas um gesto diplomático; é um xeque-mate de conveniência. Ao se dizer disposto a colaborar com Trump contra o narcotráfico, o presidente brasileiro tenta transformar um adversário ideológico em um parceiro de ocasião.
O Plano de Voo: PF e Receita em Washington
Lula não quer apenas uma foto apertando a mão de Trump em março. Ele anunciou que levará uma comitiva de peso:
- Polícia Federal: Para integrar inteligência e operações de campo.
- Receita Federal e Fazenda: O foco aqui não é a favela, mas a lavagem de dinheiro.
- Justiça: Para garantir que o processo de extradição e punição funcione nos dois sentidos.
O argumento de Lula é cirúrgico: o crime organizado é uma indústria multinacional. Se os “barões” do tráfico moram em coberturas de luxo em Miami ou São Paulo, a solução precisa atravessar a fronteira com a mesma facilidade que o dinheiro sujo.
A Troca de Figurinhas: “Me Entrega o Meu Bandido”
O tom da conversa subiu de patamar quando Lula revelou que já enviou até fotografias e endereços de suspeitos que vivem nos EUA para a Casa Branca. A mensagem subliminar é clara: “Se você quer combater o crime, Trump, comece me entregando quem está se escondendo no seu quintal”.
Essa postura de “soberania ativa” tenta desarmar a retórica agressiva de Trump, que frequentemente ameaça intervenções unilaterais na América Latina sob a justificativa do combate às drogas. Lula está dizendo: nós fazemos o trabalho, desde que seja em conjunto.
O “E Daí?” Político
Por trás dessa cooperação, existe um jogo de interesses muito maior:
- Minerais Críticos e Terras Raras: Lula usará a pauta da segurança como moeda de troca para negociar a exploração desses recursos no Brasil.
- Impeachment e STF: O governo brasileiro quer neutralizar qualquer apoio de Trump a movimentos de oposição que buscam sanções contra ministros do Supremo.
- Economia: Tentar reverter o “tarifaço” de 15% através de uma relação “olho no olho”.
O ceticismo aqui é uma regra de sobrevivência. Trump é conhecido pela sua imprevisibilidade e Lula pela sua habilidade de camaleão. Juntar os dois para combater o narcotráfico é como tentar misturar óleo e água: pode até funcionar sob pressão, mas a separação é o estado natural.
A pergunta que fica é: Trump aceitará dividir o protagonismo da “guerra contra as drogas” com um líder do Sul Global, ou essa aliança será apenas mais um aperto de mão vazio antes da próxima guerra tarifária?

