Lula critica operação no Rio e pede investigação da PF: “Houve mat*nça”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta terça-feira sobre a megaoperação realizada no Rio de Janeiro, classificando-a como “matança” e exigindo investigação federal.


Segundo ele, embora a ação tenha sido apontada por autoridades estaduais como bem-sucedida, “do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”. 
A operação em questão ocorreu na região dos complexos do Alemão e da Penha e resultou em 121 mortos, segundo o governo do estado do Rio de Janeiro, incluindo quatro policiais.


Lula destacou que a ordem judicial original previa prisões, não mortes em massa. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”.
Ele anunciou que o governo federal vai articular uma investigação independente, com participação da Polícia Federal e de legistas federais, para averiguar sob quais condições a operação foi executada.


Enquanto isso, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, declarou que a ação contra facção criminosa foi “um sucesso”, contrariando a análise do presidente.


Relatos de moradores afirmam que dezenas de corpos foram encontrados em áreas de mata, alguns com sinais de rendição ou execução extraoficial. Essas versões contrastam com a narrativa oficial da ação como legítima.


Para Lula, esse conjunto de informações torna indispensável que todos os documentos da operação — perícias, cadeias de custódia, imagens e depoimentos — sejam preservados e disponibilizados para investigação externa. 
Ele fez as declarações durante agenda em Belém (PA), onde participa de eventos paralelos à COP30, ao lado de agências internacionais de notícias, o que amplia a repercussão do caso no âmbito global.


Além da quantidade de vítimas, o presidente questiona os critérios usados para a ação, a proporcionalidade da força aplicada e a aderência aos princípios de direitos humanos, indicando que “é importante ver em que condições se deu”.


A manifestação de Lula insere-se num contexto de elevada atenção pública sobre violência, segurança pública e atuação estatal no Brasil, sobretudo em operações realizadas em áreas de alta vulnerabilidade urbana.


Especialistas em segurança pública apontam que operações com elevado número de mortes provocam desgaste institucional, aumento de tensão social e questionamentos quanto à eficácia no combate ao crime organizado.


Já para defensores da operação, a ação foi necessária para fragilizar o poder da facção Comando Vermelho, considerada um dos principais grupos criminosos do Rio, e justificar uso intenso de força para recuperar territórios.


O impasse entre governo estadual e federal ilustra uma divisão de narrativas: de um lado, a prioridade pela pacificação e controle; de outro, a necessidade de garantias de direitos e investigação de eventuais excessos.
Para o governo federal, a abertura de investigação independente também visa demonstrar compromisso com a legalidade e com os compromissos internacionais de direitos humanos assumidos pelo Brasil.


No âmbito prático, a continuidade do caso dependerá de acesso a provas materiais, cooperação entre as polícias estaduais e federais, e da inserção de organismos como a Organização das Nações Unidas ou outras instâncias de monitoramento.


Também se coloca em evidência a questão da comunicação pública: como as autoridades informam à sociedade os resultados de operações que envolvem confrontos armados, mortes e prisões em larga escala.
Para as comunidades afetadas, a operação reforça o temor e a sensação de vulnerabilidade, sobretudo se a percepção for de que pouco mudou no cotidiano pós-operacional, seja em termos de segurança ou de condições de vida.
Nesse sentido, a repercussão política pode ressaltar a urgência de estratégias alternativas: inteligência, presença estatal contínua, diálogo comunitário e medidas de reintegração social, além da escalada de ações repressivas.
Em suma, o posicionamento do presidente Lula marca um ponto de divergência clara na política pública de segurança: ao mesmo tempo em que reafirma o combate ao crime organizado, enfatiza a necessidade de que esse combate obedeça aos padrões do Estado de Direito e não descambe para o uso indiscriminado da força.

A repercussão desse episódio ainda está em curso, e o desfecho da investigação pedida pelo governo federal poderá influenciar decisões futuras sobre como o Brasil equilibra exigência de segurança com proteção de direitos e garantias fundamentais.

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