Lula critica fala de premiê alemão sobre Belém: “Devia ter ido em boteco e ter dançado no Pará”

A resposta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à declaração do Chanceler alemão Friedrich Merz, de que ele e sua comitiva ficaram “felizes por termos retornado à Alemanha daquele lugar” (Belém, sede da COP-30), é um lance de mestre na diplomacia do contraponto. Ao sugerir que Merz “devia ter ido em boteco e ter dançado no Pará”, Lula desce do pedestal do protocolo e ataca a arrogância velada do Norte Global com a arma da identidade cultural.

A crítica de Merz sobre o desconforto de Belém foi um erro de cálculo que expôs a visão elitista do Sul. A resposta de Lula é um movimento duplo. Primeiramente, ele recusa a aceitação passiva da crítica, algo raro na diplomacia brasileira.

Em segundo lugar, ele reposiciona a crítica de infraestrutura para uma falha de imersão cultural. Lula inverte a lógica: o problema não é a cidade, mas a incapacidade do visitante de se conectar com a vitalidade e a alegria local.

O ceticismo nos faz questionar a eficácia dessa resposta. É um ato de defesa legítima da soberania e da dignidade regional, mas também um lembrete de que a política externa de Lula frequentemente se nutre de apelos populares e da polarização.

Ao invés de usar a burocracia para rebater a crítica, ele usa a paixão, transformando a questão diplomática em um orgulho regional.

O “boteco” e a “dança” são metáforas poderosas na fala de Lula. Eles representam a cultura popular, a autenticidade e a vida real que o protocolo de uma cúpula global, como a COP, geralmente oculta. Lula está dizendo que a verdadeira Amazônia e o verdadeiro Brasil não estão nos salões de conferência, mas nas ruas, na cultura e na convivência informal.

O Chanceler alemão perdeu a oportunidade de entender o país em sua essência.

A implicação mais profunda é que a falta de imersão e a pressa em “retornar” contaminaram a negociação. Se Merz e sua comitiva estivessem mais dispostos a vivenciar “aquele lugar”, talvez o compromisso financeiro com o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF) tivesse sido mais substancial e menos protelado. A distância física reflete a distância do compromisso.

A reação de Lula, embora passional, serve como um alerta necessário à comunidade internacional: o Brasil exige ser respeitado não apenas por sua floresta, mas por sua gente e sua cultura.

A vinda para a Amazônia não pode ser um mero check-in logístico; deve ser uma experiência de engajamento genuíno.

Ao final, o confronto entre o Chanceler e o Presidente expõe que as negociações climáticas não são apenas sobre carbono e financiamento, mas sobre a superação de preconceitos culturais e a aceitação da diversidade de realidades. O Pará, com sua dança e botecos, é tão essencial para a solução climática quanto qualquer capital europeia.

Gostaria de analisar a cobertura da mídia alemã sobre a fala de Merz e a réplica de Lula?

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