Luciano Cesa afirma que Bolsonaro está nos EUA e que a PF prendeu um clone em seu lugar

O influenciador digital Luciano Cesa voltou a gerar polêmica nas redes sociais com afirmações de teor conspiratório envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma recente transmissão ao vivo, Cesa declarou que Bolsonaro não estaria preso na capital brasileira, mas residindo há meses nos Estados Unidos, sob proteção

Segundo o influenciador, quem estaria detido na sede da Polícia Federal (PF), cumprindo pena, seria na verdade um “clone” ou “dublê” do ex-presidente — e não o próprio Bolsonaro. Para sustentar a hipótese, Cesa mencionou uso recorrente de sósias, mascarados ou “doubles” para enganar a população.

Na live, Cesa afirmou: “O nosso capitão está seguro. Segundo informações que eu tenho, ele está em um lugar muito seguro nos EUA há muito tempo, especialmente na Cheyenne Mountain. Ele foi visto nos EUA há uns dias atrás. Ele está sendo protegido, porque é um membro importantíssimo da ‘Aliança da Terra’, assim como o Trump, e vão trabalhar para a libertação do planeta e ele deve ser protegido ao máximo.”

A suposta “Aliança da Terra”, citada pelo influenciador, incluiria também o ex-presidente norte-americano Donald Trump — segundo Cesa, ambos fariam parte de um grupo que teria como objetivo a “libertação do planeta”. Cesa não apresentou qualquer evidência concreta para sustentar a narrativa.

Apesar da divulgação intensa em grupos bolsonaristas e entre seguidores, as declarações são recebidas com ceticismo fora desse círculo. Especialistas em verificação de fatos alertam que não há base concreta, documentos ou provas pública que confirmem a versão de que Bolsonaro estaria nos EUA e que um clone estaria detido em seu lugar.

Oficialmente, a PF e o sistema judiciário não reconhecem qualquer indício que sustente a teoria propagada por Cesa. A narrativa contradiz a versão documentada sobre a prisão preventiva de Bolsonaro, realizada pela PF e determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No último sábado (22), Bolsonaro foi preso preventivamente na capital federal, em cumprimento à determinação judicial. A prisão cautelar não decorreu de nova condenação, mas de medidas vinculadas a seu processo em curso.

A ordem de prisão foi motivada por avaliações de risco à ordem pública, após convocação de vigília por apoiadores nas proximidades do local onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar. A PF informou que a medida visa garantir a integridade coletiva e prevenir possíveis tumultos.

Para membros da ala governista — notadamente do partido de Bolsonaro, PL — a prisão foi considerada uma “injustiça” e um ato de “arbítrio” por parte do STF. O Partido Liberal e aliados políticos refutam acusações e denunciam suposta perseguição institucional.

Em contrapartida, autoridades e setores que defendem o regime democrático elogiaram a atuação da PF e do STF, destacando que o cumprimento da lei e das instituições é essencial para a estabilidade institucional do país.

A alegação de clonagem e sósias faz parte de um padrão maior de desinformação que circula em redes associadas à militância bolsonarista desde 2022 — quando começaram a surgir teorias conspiratórias envolvendo fraudes eleitorais, dublês e manipulação de imagem. Esse movimento ganhou força com o uso intensivo de plataformas digitais para disseminar narrativas sem embasamento.

Desde então, investigações da PF — como a operação Operação Tempus Veritatis — apontaram supostas tentativas de golpe de Estado, irregularidades na organização de atos antidemocráticos e movimentações financeiras suspeitas que teriam como pano de fundo planos de evasão e blindagem jurídica e financeira.

Relatórios oficiais indicam que, ao final de seu mandato, Bolsonaro teria transferido recursos e bens para o exterior — medidas que geraram suspeitas de ocultação de patrimônio por parte da PF. Mas tais investigações não mencionam nada que confirme a existência de um “clone” ou substituto físico de Bolsonaro no Brasil.

Até o momento, nenhum tribunal, autoridade policial ou fonte independente divulgou qualquer prova ou dado que corrobore a versão de Luciano Cesa. A ausência de evidências robustas e verificáveis sugere que a narrativa se encaixa no campo das teorias da conspiração, sem base jurídica ou factual.

Especialistas advogam cautela: disseminar afirmações dessa natureza sem provas concretas pode prejudicar o debate público, minar a confiança nas instituições e alimentar um clima de instabilidade social e política.

O episódio reforça um desafio crescente no Brasil e no mundo: o impacto das redes sociais na propagação de desinformação, especialmente quando envolvem temas sensíveis como poder, justiça e autoridades públicas.

Diante da gravidade das acusações, a comunidade jornalística, órgãos de checagem e plataformas de mídia digital devem se manter atentas a relatos que misturam fantasia, rumor e desinformação — verificando sempre a origem, as evidências e a coerência das narrativas antes de repercuti-las amplamente.

Enquanto isso, a versão oficial permanece a de que o ex-presidente está preso na sede da PF, e não há qualquer material público que confirme a existência de clones ou substitutos em seu lugar.

Em síntese, a alegação de que Bolsonaro estaria nos EUA e que um “clone” estaria encarcerado no Brasil continua desprovida de provas — caracterizando-se como teoria conspiratória.

Se difundida sem críticas, pode contribuir para a desinformação e fragilização da credibilidade de instituições e processos judiciais no país.

Esse caso evidencia a importância do jornalismo rigoroso, da investigação de fatos e da exigência de transparência diante de declarações que fogem à realidade documentada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jeniffer Castro, mulher que viralizou por recusar trocar seu assento em um voo, vai estrear como atriz em farofeiros 3

Tarcísio de Freitas afirma que é a favor da prisão perpétua no Brasil