Lais Souza conhece a dra. Tatiana Sampaio, da polilaminina, após 12 anos tetraplégica

A ex-atleta brasileira Lais Souza participou de um encontro considerado marcante em sua trajetória pessoal e médica ao conhecer, após mais de uma década convivendo com tetraplegia, a pesquisadora Tatiana Sampaio, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição onde foi desenvolvida a polilaminina, proteína experimental voltada a estudos sobre regeneração neural.

O encontro ocorreu no Rio de Janeiro e reuniu a atleta e a cientista responsável por coordenar pesquisas que investigam novas abordagens para recuperação de movimentos em pessoas com lesões na medula espinhal. A substância vem sendo analisada em estudos laboratoriais e protocolos científicos controlados.

A história de Lais ganhou projeção nacional em 2014, quando sofreu um acidente durante um treinamento de esqui fora do país. Na ocasião, ela teve uma lesão grave na região cervical da coluna, com comprometimento severo das funções motoras.

O trauma atingiu a vértebra C3 e provocou um quadro de tetraplegia. Desde então, a ex-ginasta passou a depender de cuidados contínuos, tratamentos especializados e rotinas intensivas de reabilitação física e respiratória.

Ao longo desses anos, o processo incluiu cirurgias, sessões de fisioterapia e acompanhamento multiprofissional. Pessoas próximas relatam que a atleta manteve disciplina rigorosa e envolvimento ativo em programas de recuperação funcional.

Paralelamente ao tratamento, ela acompanhou de perto pesquisas internacionais sobre lesão medular. Estudos clínicos, testes experimentais e novas terapias foram monitorados por ela com postura cautelosa e sem criar expectativas antecipadas.

Segundo relato público feito pela própria atleta, o contato direto com a pesquisadora brasileira teve significado especial dentro dessa jornada de acompanhamento científico e busca por alternativas terapêuticas.

“Hoje tive o privilégio de conhecer Tatiana Sampaio. Eu precisava vir pessoalmente agradecer por todos esses anos dedicados à pesquisa. Em 12 anos de lesão, acompanhei inúmeros estudos ao redor do mundo. Li artigos, vi reportagens, ouvi especialistas, mas sem criar expectativas. Nenhum deles tinha despertado em mim o que senti ao conhecer a polilaminina”.

A polilaminina é descrita pelos pesquisadores como uma proteína desenvolvida no Brasil com potencial aplicação em estratégias de regeneração do tecido nervoso. Os estudos ainda seguem etapas técnicas de validação.

A cientista e sua equipe conduzem pesquisas para avaliar segurança, resposta biológica e eficácia do composto. Resultados iniciais considerados promissores têm motivado continuidade dos testes em ambientes controlados.

A viagem ao Rio foi organizada especificamente para viabilizar o encontro e permitir que a atleta conhecesse de perto o trabalho científico desenvolvido em laboratório e centros de pesquisa associados.

Durante a visita, Lais também relembrou declarações que havia feito no passado sobre a disposição de se deslocar para qualquer país caso surgisse uma linha de pesquisa que demonstrasse real potencial de avanço.

“Eu sempre disse que viajaria para qualquer lugar do mundo se surgisse uma pesquisa verdadeiramente promissora. E nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que essa luz estaria tão perto. Aqui na nossa casa, no nosso país.”

A ex-ginasta construiu carreira de destaque no esporte brasileiro, com participações em competições internacionais e conquistas em torneios continentais, antes do acidente que interrompeu sua trajetória competitiva.

Desde então, ela passou a atuar também como voz ativa em temas ligados à reabilitação, acessibilidade e incentivo à pesquisa científica voltada a lesões neurológicas graves.

No encontro, ela manifestou expectativa de que o tratamento em estudo consiga cumprir todas as etapas regulatórias e, no futuro, possa ser disponibilizado de forma ampla a pacientes que aguardam novas opções terapêuticas.

“Torço para que os resultados avancem além do que hoje conseguimos imaginar.”

Especialistas da área médica ressaltam que pesquisas desse tipo exigem fases longas de validação, incluindo testes progressivos e aprovação por órgãos reguladores, antes de qualquer aplicação clínica ampliada.

A atleta também compartilhou uma mensagem de caráter pessoal ao comentar o impacto que espera ver não apenas em sua própria vida, mas em pessoas que enfrentam condições semelhantes.

“Deus, me permita estar viva para ver não apenas a minha vida impactada, mas a de milhões de pessoas. Que essa descoberta alcance quem já espera há décadas e também transforme o futuro das próximas gerações.”

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