Kanye West Pode Ser Preso em São Paulo: MP Determina Ação Imediata se Houver Apologia ao N*zism9

O Kanye West enfrenta uma medida inédita no Brasil: o Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou inquérito civil para que o artista seja detido em flagrante caso promova, cante ou divulgue músicas que façam apologia ao nazismo durante seu show na capital paulista.

A determinação se dá após anúncio de apresentação de West em São Paulo, com data marcada para 29 de novembro.  No despacho, a promotora Ana Beatriz Pereira de Souza Frontini ordena que a Polícia de Choque fique em prontidão para agir “caso ele cante uma música ou faça qualquer apologia ao nazismo”.

Entre os alvos específicos da medida está a canção Heil Hitler, lançada por West em maio de 2025 e que contém, segundo fontes, trechos que fazem referência explícita ao líder nazista Adolf Hitler e à saudação homônima. O inquérito aponta que se a música for executada ou veiculada no espetáculo, será configurado o crime de racismo, previsto na legislação brasileira.

Também sob alçada da investigação estão os dois organizadores do show: Guilherme Cavalcante e Jean Fabrício Ramos (também conhecido como Faublous Fabz). Caso omissão seja constatada — isto é, se permitirem a execução da música ou o uso de símbolos nazistas — poderão responder por delito, segundo o MPSP.

A iniciativa revela ainda uma advertência da Prefeitura de São Paulo, que já havia vetado o uso do Autódromo de Interlagos como local do evento, alegando “incompatibilidade logística”, mas posteriormente colocada como resposta ao risco de apologia ao nazismo.

Na avaliação da promotora, o direito à liberdade de expressão “não é absoluto” e deve ser analisado segundo o “contexto em que é exercido”. De acordo com o despacho, “haja vista a necessidade de maior responsabilidade por ideias transmitidas no contexto de música e extensa audiência em show”.

A preocupação do MPSP decorre do histórico recente de Kanye West: o artista foi alvo de críticas internacionais após declarações consideradas antissemitas, uso de símbolos nazistas e lançamento da faixa “Heil Hitler”, levando a cancelamentos e restrições em diversos países.

Segundo o inquérito, a determinação alcança também as redes sociais e demais plataformas: West estaria proibido de utilizar camisetas com a suástica ou qualquer outro símbolo nazista, seja no palco ou em ambiente público ou digital no Brasil.

Para a vereadora Cris Monteiro (NOVO), autora da notícia de fato que deu ensejo ao inquérito, “a apologia ao nazismo em qualquer contexto representa ofensa direta à memória das vítimas e ao princípio de dignidade humana”, afirmou ela ao Metrópoles.

Os organizadores do show, por sua vez, emitiram nota afirmando que a revogação do Autódromo de Interlagos ocorreu de forma “unilateral” pela Prefeitura e que “em breve” divulgariam novo local. Eles declararam estar comprometidos com a realização do evento “à altura da expectativa dos fãs”.

Ainda assim, a data permanece 29 de novembro, mas o local foi mantido em sigilo. A falta de definição aumentou o clima de incerteza. Autoridades reforçam que qualquer irregularidade que configure apologia ao nazismo poderá mover a prisão em flagrante do artista e dos responsáveis pela produção.

Além da aplicação da lei penal, o MPSP sinalizou que os promotores do espetáculo poderão ser responsabilizados por danos morais coletivos, com valores proporcionais à promoção do evento.

A medida prepara a atuação das forças policiais com antecedência. O Policiamento de Choque foi oficiado para adotar “medidas preventivas” durante o show, incluindo monitoramento de símbolos e vestimentas, bem como a intervenção imediata em caso de execução da música proibida.

De modo mais amplo, o episódio coloca em evidência o debate contemporâneo sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil. A legislação brasileira considera crime a “prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A autorização para prisão em flagrante visa aplicar esse marco jurídico com rigor neste contexto singular.

Especialistas em direito apontam que a iniciativa do MPSP representa uma estratégia preventiva inédita para o ambiente de entretenimento: não aguardar o evento ocorrer, mas vislumbrar a possibilidade de infração e definir, a priori, as consequências — inclusive detenção — caso a conduta seja imputada.

Para o público, há uma sensação de alerta: um show internacional de grande porte pode se tornar palco de conflito legal e social, se as cláusulas impostas pelo Ministério Público não forem obedecidas. A expectativa dos fãs pode colidir com as exigências de ordem pública e memória histórica.

A iniciativa tampouco se limita ao Brasil: artistas internacionais que veiculam discursos extremistas têm enfrentado restrições globais. A vedação de material como “Heil Hitler” em plataformas de streaming, seu banimento na Alemanha e o cancelamento de contratos da Adidas com West são exemplos recentes.

Em contrapartida, defensores da liberdade artística advertiram que esse tipo de medida pode gerar efeitos de censura excessiva e controvérsia sobre quais expressões devem ser admitidas ou bloqueadas. O MPSP ressalta, contudo, que o contexto — show com grande público e acesso em massa — exige controle mais rígido.

À medida que o dia 29 de novembro se aproxima, o cenário permanece fluido: local ainda indefinido, produção trabalhando sob pressão e autoridades em estado de atenção. A possibilidade de prisão em flagrante converte o espetáculo em ponto focal de um debate mais amplo sobre cultura, limites e memória.

Caso a música “Heil Hitler” seja executada, ou quaisquer símbolos nazistas exibidos, o rapper, os produtores e possíveis omissos estarão sujeitos a ação imediata — o que transforma o evento em algo mais do que um show, mas também um teste institucional de resposta ao extremismo.

Em última análise, a situação demonstra que o Brasil não trata de forma simbólica casos de apologia ao nazismo, mas está disposto a agir com firmeza. O acompanhamento do espetáculo, a articulação entre promotoria, Polícia e Prefeitura, mostram que o ambiente artístico também é monitorado sob a ótica dos direitos humanos e da segurança pública.

A cidade de São Paulo, protagonista dessa trama, transforma um concerto em arena de verificação de compromissos democráticos, de regulação de manifestações culturais e de lembrança constante de que o passado não pode ser banalizado.

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