Uma história médica rara e preocupante começou a ser investigada após uma jovem apresentar sintomas neurológicos graves pouco tempo depois de iniciar o uso regular de anticoncepcional. O caso envolveu um quadro de trombose venosa cerebral — uma condição incomum e potencialmente fatal — associada ao uso do anticoncepcional e agravada por complicações ainda mais complexas no cérebro.
Segundo o relato clínico, a paciente, na faixa dos 20 anos, começou a apresentar dores de cabeça intensas que persistiram por vários dias. Como tais sintomas não melhoraram, ela procurou atendimento médico, onde exames avançados foram solicitados. A investigação revelou um bloqueio significativo nos seios venosos cerebrais, confirmando um diagnóstico de trombose venosa cerebral — também conhecida como CVT. Além disso, exames adicionais apontaram evidências de vazamento e pressão intracraniana elevada, indicando lesão no tecido cerebral.
A CVT é diagnosticada quando um coágulo sanguíneo se forma nos canais venosos responsáveis pelo escoamento do sangue do cérebro. Essa condição impede a remoção adequada de fluidos e gases metabólicos, provocando acúmulo de pressão e aumentando o risco de infartos e hemorragias intracranianas. O uso de anticoncepcionais hormonais, especialmente os que contêm estrogênio, é reconhecido por elevar o risco de coágulos sanguíneos, embora a ocorrência de CVT permaneça rara.
No caso descrito, a paciente utilizava pílulas anticoncepcionais para controle do ciclo menstrual e teve uma dor de cabeça persistente por cerca de sete dias antes de procurar a unidade de saúde. A ressonância magnética com venografia revelou trombose dos seios venosos transversos e sigmoides do lado esquerdo. Como medida imediata, foi instituída terapia anticoagulante e trombólise intravenosa, o que resultou em melhora dos sintomas iniciais.
No entanto, a complicação evoluiu de forma incomum. Quando a paciente retomava ao hospital cerca de três meses após a alta, exames revelaram alterações inesperadas na linha do tronco cerebral e sinais de edema. Os radiologistas identificaram surgimento de uma fístula arteriovenosa dural (dAVF) — uma conexão anormal entre artérias e veias durais — considerada uma consequência rara e grave da trombose prévia. A condição aumentou novamente a pressão intracraniana e trouxe risco de sequelas neurológicas irreversíveis.
Frente ao diagnóstico, a equipe médica optou pela abordagem cirúrgica. A paciente foi encaminhada à neurocirurgia, onde realizou-se procedimento de “clipping”, destinado a interromper o fluxo anômalo da fístula. Após a intervenção, os sintomas — que incluíam tontura, náuseas e alterações da fala — começaram a regredir gradualmente. Com o tempo, ela foi transferida para um centro de reabilitação e seguiu acompanhamento cuidadoso, segundo relatórios médicos.
Esse caso clínico evidencia como eventos adversos associados ao uso de anticoncepcionais podem se manifestar de maneiras imprevisíveis. Embora o risco geral seja baixo, estudiosos alertam que a CVT pode surgir mesmo em mulheres jovens sem histórico médico relevante. Quando presente, pode envolver sintomas como dor de cabeça intensa, crises convulsivas, alterações visuais e até perda de consciência.
Além disso, o desenvolvimento de uma dAVF após CVT representa uma complicação crônica rara, mas já descrita em literatura médica internacional. À medida que os médicos compreendem melhor esse risco, reforçam a importância da vigilância continuada das pacientes que fazem uso de anticoncepcionais, especialmente na presença de sintomas neurológicos atípicos.
Especialistas recomendam que profissionais de saúde avaliem cuidadosamente o histórico de cada paciente antes de prescrever métodos hormonais. Fatores de risco adicionais, como histórico familiar de trombose, tabagismo, obesidade, imobilização prolongada ou coagulopatias hereditárias, devem ser considerados para decisões mais seguras.
Também há consenso sobre a necessidade de acompanhamento clínico frequente, seja por consultas neurológicas e hematológicas, seja por exames de imagem planejados. Em caso de eventos adversos, a conduta inclui interrupção imediata do anticoncepcional, uso de anticoagulantes e monitoramento radiológico contínuo.
Apesar da gravidade, muitos casos apresentam bom prognóstico quando o diagnóstico é feito de forma precoce e o tratamento é iniciado rapidamente. Ao longo do tempo, a maioria dos pacientes consegue recuperação significativa e evita sequelas permanentes, embora o risco de recorrência exija cuidado prolongado.
Essa história clínica reforça a importância de conscientizar a população sobre os riscos potenciais de terapias hormonais. Informar as mulheres sobre sinais de alerta, como dores de cabeça persistentes, alterações neurológicas e crises convulsivas, é crucial para estimular a busca imediata por atendimento médico especializado.

