Jovem m*rre carbonizado dentro de carro elétrico Xiaomi SU7 após acidente na China, porta travou e impediu resgate

Um grave acidente envolvendo um carro elétrico da Xiaomi SU7 voltou a acender um debate internacional sobre segurança automotiva. Na madrugada de domingo, em Chengdu, capital da província de Sichuan, um motorista de 31 anos — identificado apenas pelo sobrenome Deng — perdeu a vida após um crash violento que terminou com o veículo em chamas. A tragédia, ocorrida por volta das 3h10 em uma avenida movimentada, expôs um problema que tem levantado críticas e apreensão: as portas automáticas não funcionaram após a perda de energia, prendendo Deng no interior do automóvel e impossibilitando seu resgate.

Testemunhas relataram que o carro trafegava em alta velocidade sob forte chuva, quando teria perdido o controle e colidido com um canteiro central, sendo arremessado para a pista contrária antes de explodir em chamas. Inúteis foram as tentativas de populares de abrir as portas — eletronicamente travadas — mesmo após a perda total de energia do carro. A presença de chamas intensas e calor abrasador terminou por impedir qualquer aproximação até a chegada do corpo de bombeiros.

O incêndio se agravou rapidamente, e o motorista foi declarado morto no local. O impacto foi tão severo que a estrutura da carroceria ficou comprometida, dificultando tanto o salvamento quanto a retirada do veículo do local. A cena gerou comoção imediata e reportagens internacionais transmitiram o episódio ao vivo, transformando o caso em símbolo das falhas ainda inexploradas da mobilidade elétrica de alta performance.

Relatos iniciais das autoridades apontam que Deng pode ter conduzido o veículo sob efeito de álcool, levantando questões sobre conduta imprudente e responsabilidade criminal. A hipótese ainda precisa ser confirmada por exame toxicológico, mas já acende o alerta sobre os riscos de combinação entre velocidade, condições climáticas adversas e sistemas automatizados de auxílio ao motorista.

Esse trágico acidente ocorre apenas meses depois de outro incêndio em um SU7 no dia 29 de março deste ano, quando três estudantes universitárias morreram depois que o carro colidiu com uma barreira de concreto em uma rodovia do leste da China. Na ocasião, as investigações levantaram suspeitas de falha no sistema de direção assistida e resistência insuficiente do carro diante de colisões de alta velocidade.

Em setembro, a própria Xiaomi reconheceu vulnerabilidades em seus modelos SU7 e convocou mais de 116 mil veículos para receber uma atualização de software destinada a corrigir falhas no modo de direção autônoma de nível 2, que poderia inadequadamente subestimar situações inesperadas e não alertar o motorista com antecedência. As normas de segurança para carros automatizados deverão entrar em vigor apenas a partir de 2027, o que aumenta o debate sobre a rapidez com que a legislação acompanha os avanços da tecnologia.

Analistas do setor explicam que um dos principais pontos críticos envolve justamente as portas eletrônicas e travas de segurança. Em automóveis elétricos de última geração, a ausência de energia pode impedir a liberação mecânica tradicional, transformando o veículo em uma “armadilha” mortífera no caso de colisões graves. Casos semelhantes foram relatados também em modelos da Tesla, que já foram alvo de investigações regulamentares em países como Alemanha, Canadá e Estados Unidos por falhas nesse sistema.

Especialistas em segurança veicular alertam que a evolução da tecnologia exige que os fabricantes integrem mecanismos de liberação manual que funcionem independentemente da energia elétrica, garantindo a saída imediata em situações de emergência. Organizações de defesa do consumidor também têm defendido a obrigatoriedade de testes de resgate em veículos elétricos para que mecanismos de escapamento sejam verificados sistematicamente.

A fatalidade na China provocou impacto direto no mercado acionário. Nesta segunda-feira, as ações da Xiaomi em Hong Kong despencaram cerca de 6,5%, levando a empresa a enfrentar pressão por respostas rápidas e mais rigorosas em seus controles de segurança. Investidores preocupados com novas multas e processos judiciais começaram a questionar se a fabricante reagirá com a mesma celeridade que montadoras tradicionais diante de acidentes fatais.

A marca, que ampliou sua linha de veículos elétricos com investimentos expressivos desde 2023, ainda não divulgou um posicionamento oficial sobre o caso. Segundo assessores, a companhia coopera totalmente com as autoridades chinesas e disponibilizou dados do carro para análise, incluindo logs do sistema de direção assistida e de consumo energético. Um comunicado deve ser emitido em breve, detalhando as ações que serão adotadas para apurar responsabilidades.

Para muitos especialistas, esse episódio pode marcar um ponto de inflexão no mercado global de carros elétricos. A expectativa é de que fabricantes repensem o balanceamento entre inovação e segurança, priorizando mecanismos redundantes e designs que facilitem o acesso manual aos ocupantes em evacuações emergenciais.

Além dos problemas técnicos, autoridades investigam se a velocidade e a possível embriaguez foram fatores determinantes para a agressividade do impacto e a subsequente ignição da bateria — cuja reação química em colisões severas pode desencadear um tipo de combustão chamada “thermal runaway”, caracterizada por expansão explosiva da reação interna e difícil contenção por parte dos bombeiros.

O uso de veículos elétricos cresce rapidamente na China, que ultrapassou 30% de participação do mercado interno no último trimestre. A mobilidade elétrica, que representa o futuro da indústria automobilística, enfrenta seu primeiro grande teste de confiabilidade em escala global — e episódios como esse podem determinar mudanças regulatórias e de design nos próximos anos.

Enquanto isso, familiares de Deng aguardam o resultado da investigação e a liberação do corpo, previstos para serem concluídos nas próximas semanas. Embora as causas exatas permaneçam sem explicação definitiva, a morte do motorista no interior do SU7 reacendeu um debate vital: até que ponto a tecnologia protege se, nos momentos mais críticos, não salva?

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