O pronunciamento de Jojo Todynho sobre o caso Laís Alves e o assassinato orquestrado pela madrasta, Gabrielle, não é um mero comentário de celebridade. É uma performance de indignação que usa a autoridade da sua voz para expor a falência moral de um crime bárbaro.
O Foco na Bizarrice e a Ofensa Pessoal
Jojo, ao focar na desproporção do valor (“R$ 20 mil”) em relação ao crime (“tirar a vida de outra”), atinge o núcleo da futilidade e da maldade.
A crítica mais cortante e que gera reação imediata é a pessoal, o ad hominem: “Esses R$ 20 mil ela podia ter juntado e feito uma bariátrica, porque estava imensa!”. Essa frase, embora brutal e desnecessária, cumpre um papel na retórica popular.
Ela desumaniza a madrasta, Gabrielle, no plano do senso comum, associando a sua ambição criminosa à sua aparência física. É uma forma visceral de expressar repulsa total, ressoando com a ética da rua que Jojo domina.
O Crime como Apropriação Indevida
O discurso de Jojo enquadra o crime não como um ato de paixão, mas como um ato de apropriação indébita e ganância: “tudo por querer usufruir do que não é seu.”
Essa leitura simplificada atinge o cerne da revolta popular: a destruição da vida por um desejo egoísta e calculista de possuir o que pertence ao outro (o filho, a posição social, a família).
A crítica da cantora funciona como um diagnóstico moral que “revolta qualquer pessoa”, agindo como um porta-voz não-oficial da indignação pública.
A Cobrança de Justiça e a Impunidade
Ao expressar a sensação de “bizarrice, uma vergonha, um descaso total” e o desejo de justiça, Jojo toca no ponto mais sensível da sociedade: a impunidade.
A frase “Eu sei que não podemos fazer justiça com as próprias mãos” é a ressalva obrigatória, que antecede e legitima sua cobrança ao sistema legal. Ela traduz a frustração popular com a lentidão e a aparente ineficácia da Justiça.
A artista utiliza seu alcance e sua franqueza para pressionar as autoridades e manter o caso em evidência. A indignação da celebridade garante que a tragédia de Laís Alves não caia no esquecimento do ciclo de notícias.
O fenômeno de Jojo é, em essência, a voz não filtrada que o público deseja ouvir, transformando a raiva em um discurso moralmente impactante.

