Japinha do CV, Musa do crime, teve o rosto esf*cel*do com um tiro de fuzil

Em meio à mais letal operação policial já registrada no estado, surge o nome de Japinha do CV — ou Penélope — morta em confronto. 
Ela operava como figura de linha de frente da facção Comando Vermelho (CV), vestida com roupa camuflada e colete tático.
No local do confronto, seu corpo foi encontrado próximo a acesso principal da comunidade, com ferimento de arma de calibre elevado na cabeça.

A morte da Japinha não é apenas mais um dado em uma estatística: é um símbolo do tipo de enfrentamento que o Rio vive hoje.
Quando uma mulher assume função militarizada em uma facção, está quebrando dois tabus — o de gênero no crime organizado e o de distinção entre combatente e morador civil.
E quando ela é morta assim, o “campo de batalha” deixa de ser metáfora: se torna realidade viva.

Esta operação — nos complexos da Penha e do Alemão — foi apresentada como combate direto ao crime. Mas se observarmos o cenário, vemos que o “inimigo” estava vestido como soldado, com camuflagem, armas e táticas.
A morte de Japinha revela que o Estado vê na favela um exército inimigo, e não uma população vulnerável.

Há nesse episódio várias camadas de reflexão:

  1. Militarização da cena urbana: A figura da Japinha com colete tático sinaliza que o tráfico atingiu níveis organizacionais e paramilitares muito altos.

  2. Letalidade como estratégia: A operação — que já soma mais de 100 mortes segundo a defensoria. — troca investigações por fogo pesado, transformando comunidades em zonas de guerra.

  3. Visibilidade e consequências sociais: Moradores carregavam corpos, imagens circulavam, famílias pediam que não publicassem fotos da morta.

  4. A fronteira ética: Quando uma operação é chamada de “sucesso” simplesmente por número de mortos, a linha entre justiça e extermínio se deteriora.

Este caso insiste em perguntar: Se o Estado trata a favela como teatro de operações militares, quem restará como cidadão?
E se o crime organiza-se militarmente, será que a resposta apenas com armas não reforça o ciclo?

A morte de Japinha do CV mostra que não se trata apenas de prender ou matar “traficantes”, mas de um modelo de segurança que vê a favela inteira como inimiga.
E nesse modelo, cada tiro, cada corpo, cada roupa camuflada carrega um significado social — não apenas individual.

Se o Rio quer de fato pacificar, não basta mais operações de choque.
É preciso desfazer a lógica da guerra dentro da cidade — porque quando a guerra fica dentro dela, os civis perdem e todo o sistema perde legitimidade.

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