A investigação envolvendo a Receita Federal do Brasil tem ganhado maior dimensão e ampliado um clima de desconfiança entre diferentes poderes e setores do governo federal.
O caso ganhou notoriedade depois que o Supremo Tribunal Federal passou a apurar acessos indevidos a dados fiscais sigilosos de ministros, parentes e outras autoridades, abrindo uma investigação sobre uso irregular dessas informações.
Segundo relato de ministros, teriam sido rastreados acessos a informações fiscais por servidores da Receita sem autorização judicial. A suspeita é que esses dados possam ter sido repassados a investigadores ou utilizados em apurações criminais sem a devida autorização legal.
O relator do inquérito no STF, o ministro Alexandre de Moraes, determinou o rastreamento dos acessos e a Polícia Federal realizou buscas e apreensões contra servidores suspeitos de acessar indevidamente o sistema.
Na investigação também foram identificados acessos a dados de titulares específicos, como o filho do ministro Luiz Fux, o que reforçou questionamentos sobre a segurança e o controle de sigilo fiscal no país.
Em nota, a Receita reconheceu que houve acessos indevidos e que já havia instaurado auditorias internas antes mesmo da PF agir, inclusive comunicando possíveis desvios ao STF.
Como resposta às apurações, medidas cautelares foram determinadas pela Justiça, incluindo afastamento de funções, monitoramento de investigados e restrições de passaporte em alguns casos, ainda que não tenham ocorrido prisões nessa etapa.
Entre integrantes da Corte, a suspeita de que informações tenham sido coletadas de forma clandestina alimenta um clima de desconfiança sobre o uso dessas bases de dados, num momento em que outras investigações de grande repercussão também estão em andamento.
Auxiliares do governo alegam que a Receita não atua de forma coordenada com o Executivo para fins políticos e que acessos indevidos são detectáveis e auditáveis nos sistemas do órgão.
A situação adicionou uma nova dimensão de tensão entre o STF, a Receita e a Polícia Federal, especialmente no contexto das investigações ligadas aos vazamentos de dados e da chamada Operação Barco de Papel — que apura o caso do Banco Master.
Entidades de auditores também reagiram: a Associação Nacional dos Auditores-Fiscais (Unafisco) manifestou preocupação com a exposição pública de servidores antes da conclusão das investigações, defendendo garantias como a presunção de inocência.
O episódio segue repercutindo no meio político e jurídico e levanta questões sobre controle, uso legal de informações fiscais e proteção de dados sensíveis no Brasil, enquanto as autoridades procuram esclarecer responsabilidades e reforçar mecanismos de segurança

