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A notícia da BBC sobre a mudança de foco do crime organizado no Brasil, migrando da tradicional disputa por rotas de tráfico para a exploração de recursos naturais, revela a complexidade e a adaptabilidade das facções criminosas.

O Salto para a Mineração Ilegal

A expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) para a mineração ilegal (ouro, diamantes e cassiterita) não é um desvio, mas uma evolução estratégica.

  • Diversificação Financeira: A mineração ilegal oferece um fluxo de caixa robusto, de baixo risco e alto lucro, muitas vezes menos sujeito à repressão imediata do que as rotas de cocaína e maconha. O ouro, por exemplo, é facilmente lavável e transportável, sem a rastreabilidade química da droga.

  • Controle Territorial: A entrada na mineração garante o controle de vastas áreas da Amazônia e de outras regiões de fronteira. Isso não só facilita a extração, mas também o domínio sobre populações vulneráveis e rotas de escoamento. O crime organizado transforma-se em um ator econômico e de poder nos territórios.

A Sombra Sobre os Indígenas e a Falência Ambiental

A ascensão do crime organizado na mineração está intrinsecamente ligada à violência contra os povos indígenas. As facções fornecem a estrutura logística, as armas e a mão de obra para grupos de garimpeiros ilegais, atuando como um “braço armado” que desafia a Funai e o Ibama.

Essa atuação não é apenas econômica; é uma devastação ambiental e social. As facções usam o capital do tráfico para financiar equipamentos caros, intensificando o desmatamento e a contaminação por mercúrio nas bacias hidrográficas.

O Desafio da Resposta Estatal

O Estado brasileiro está sendo forçado a adaptar sua estratégia de combate ao crime. A repressão tradicional (foco em prisões e drogas) se mostra insuficiente contra um inimigo que agora tem interesses econômicos complexos e descentralizados na Amazônia e em outros biomas.

A resposta deve ir além da força policial e concentrar-se na inteligência financeira e ambiental. É preciso rastrear o fluxo de capital gerado pelo ouro e pelos minérios ilegais, desmantelando a lavagem de dinheiro e o sistema de compra e venda de insumos que alimenta a mineração criminosa.

O novo foco do crime organizado demonstra que a crise ambiental é também uma crise de segurança pública. O combate eficaz à mineração ilegal é, hoje, uma das formas mais diretas de enfraquecer o poder financeiro das maiores facções do Brasil.

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