Hospital abre protocolo de morte cerebral para mulher de 30 anos internada após ser intoxicada com metanol

O Hospital de Clínicas Municipal de São Bernardo do Campo (SP) abriu o protocolo para confirmar morte encefálica de uma mulher de 30 anos, internada após suspeita de intoxicação por metanol. A paciente identificada como Bruna Araújo de Souza permaneceu sob cuidados intensivos, e familiares foram informados oficialmente sobre o procedimento.

consumir uma dose de vodca misturada com suco de pêssego durante uma festa. Nas horas subsequentes, ela apresentou vômitos, náuseas e percepção visual comprometida.

Com a evolução do estado de saúde para condição gravíssima, médicos decidiram avançar com o protocolo de constatação de morte cerebral nesta sexta-feira (3). O processo envolve uma série de testes clínicos para verificar ausência de atividade cerebral e reações a estímulos específicos.

O protocolo de morte encefálica visa determinar se há falência irreversível das funções encefálicas, incluindo córtex e tronco cerebral. Uma vez confirmado, o quadro é considerado equivalente ao óbito, ainda que o coração bata com suporte mecânico.

Nos testes aplicados, equipes médicas buscam verificar ausência de reflexos do tronco encefálico, ausência de resposta ao estímulo doloroso e incapacidade de respirar espontaneamente (teste de apneia). Se esses critérios forem comprovados, declara-se a morte encefálica.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo já registrou 30 casos de intoxicação por metanol no município, sendo 1 caso confirmado e 4 mortes em investigação. Até o momento, 24 pacientes estão recebendo atendimento nas redes públicas e privadas da região.

No contexto estadual, o surto de intoxicações por metanol deixou o estado de São Paulo com 102 notificações: 11 casos confirmados e 91 em apuração. Os óbitos suspeitos somam 8, com apenas 1 deles confirmado.

As intoxicações têm sido investigadas com foco no consumo de bebidas destiladas adulteradas, especialmente vodca, uísque e gim, adquiridas em ambientes não regulamentados. A hipótese é de que metanol tenha sido incorporado deliberadamente para simular maior teor alcoólico.

Em São Bernardo, quatro estabelecimentos foram interditados até o momento, e lotes de bebidas suspeitas exigem análise toxicológica. A polícia local também recolheu garrafas desses locais para investigação criminal.

Além das apurações locais, o Ministério Público Federal instaurou procedimento administrativo para acompanhar os casos no âmbito nacional, com vistas à responsabilização de possíveis redes de distribuição clandestinas.

Como parte da resposta emergencial, o governo federal adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, que funcionam como antídoto para intoxicação por metanol. Também há movimentações para obtenção de fomepizol, substância ainda não amplamente disponível no Brasil.

As secretarias de saúde estaduais e municipais receberam orientações para notificar imediatamente suspeitas de intoxicação por metanol, sem aguardar confirmação laboratorial, acelerando identificação de novos casos.

Especialistas observam que os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem ser inespecíficos: náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Com o tempo, sinais como turvação visual, convulsões e inconsciência podem se manifestar.

A rapidez no diagnóstico e início do tratamento adequado é decisiva para reduzir lesões irreversíveis, como cegueira neurológica ou dano cerebral permanente.

O estado de São Paulo concentra a maioria dos casos nacionais, o que acende alerta para intensificação da fiscalização no comércio de bebidas destiladas em todo o país.

Diante da gravidade da situação, autoridades federais definiram uma Sala de Situação específica para monitoramento contínuo e coordenação das respostas locais.

A população é orientada a evitar o consumo de bebidas sem procedência comprovada, sem rótulo ou lacre de segurança, e a buscar atendimento médico imediato em caso de sintomas suspeitos.

Esse episódio reforça o risco inerente ao consumo de destilados “batizados” e evidencia a necessidade urgente de vigilância rigorosa e responsabilização criminal.

Se confirmado o diagnóstico de morte encefálica, o caso de Bruna se tornará mais um registro dramático no contexto do surto de metanol, alimentando debates sobre segurança sanitária e práticas ilícitas no setor de bebidas.

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