Na noite de terça-feira (16/12), a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação que pôs fim a um capítulo assustador na vida da atriz Isis Valverde. Um homem acusado de persegui-la por mais de duas décadas foi preso em flagrante dentro do condomínio onde ela mora, no bairro do Joá, na Zona Oeste da capital fluminense, após insistir em tentar contato direto com a artista.
O suspeito foi identificado como Cristiano Rodrigues Kellermann, natural do Rio Grande do Sul, que confessou às autoridades que vem perseguindo a atriz há cerca de 20 anos e admitiu diversas tentativas de aproximação em diferentes ocasiões ao longo do tempo.
Investigações conduzidas pela Delegacia Antissequestro (DAS) revelaram um padrão de comportamento preocupante e obsessivo, que se intensificou particularmente desde o início deste ano. Em depoimento, Cristiano chegou a admitir que contratou um detetive particular para obter informações pessoais da atriz — como seu endereço e telefone — com o objetivo de facilitar as tentativas de contato.
A prisão ocorreu quando ele retornou pela terceira vez ao condomínio tentando estabelecer contato direto, ignorando barreiras de segurança e os limites claros ao convívio pessoal. Diante da insistência e do risco à integridade da vítima, agentes da Polícia Civil montaram um cerco tático e o detiveram em flagrante pelo crime de perseguição, previsto na legislação brasileira para comportamentos repetitivos que violam a privacidade e geram temor à vítima.
A longa duração dessa perseguição — mais de 20 anos — chama atenção não apenas pela persistência do suspeito, mas pelo impacto psicológico que condutas obsessivas desse tipo podem ter sobre figuras públicas e suas famílias. A escalada das tentativas de contato e o deslocamento até o Rio de Janeiro evidenciam que, para o investigado, o ato deixou de ser apenas um desejo e virou risco real à segurança de outra pessoa.
Em reação ao episódio, Isis Valverde emitiu nota oficial agradecendo o trabalho rápido e eficiente da Polícia Civil, destacando que sua prioridade é a segurança da família e de todos ao seu redor. A atriz e seu marido, o empresário Marcus Buaiz, também manifestaram confiança no trabalho das autoridades especializadas.
Casos de perseguição — conhecidos internacionalmente pelo termo stalking — configuram um desafio para a legislação e para a proteção de vítimas, pois envolvem comportamentos persistentes que podem variar desde mensagens invasivas até tentativas de aproximação física que ultrapassam os limites legais e éticos.
A prisão de Cristiano, portanto, não é apenas uma resposta imediata a um episódio isolado, mas representa um marco importante na prevenção de atos futuros e no envio de uma mensagem clara sobre a intolerância a comportamentos que ameaçam a liberdade e a segurança de qualquer indivíduo, seja ele uma celebridade ou um cidadão comum.
O caso segue sob investigação, e as autoridades continuarão a apurar se houve outros crimes associados ao comportamento obsessivo do suspeito, incluindo eventuais violações de privacidade ou invasões anteriores não formalmente denunciadas.
Este episódio expõe, mais uma vez, a necessidade de mecanismos eficientes de proteção legal a vítimas de perseguição e a importância do apoio institucional às pessoas que vivem sob constante vigilância ou comportamento invasivo — uma realidade perturbadora que vai muito além dos holofotes.

