No início de dezembro de 2025, a Polícia Civil do Amazonas prendeu um homem de 36 anos sob suspeita de ter matado a ex-namorada brutalmente em Manaus. O caso, classificado como feminicídio pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), ganhou repercussão nacional pela forma como a vítima foi transportada após as agressões.
A vítima foi identificada como Marcelly Alexandre da Silva Freitas, de 28 anos. Segundo as autoridades, o crime ocorreu na residência do suspeito, localizada no bairro Cidade Nova, na zona norte da capital amazonense.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Ricardo Cunha, a DEHS conseguiu esclarecer o caso em poucos dias após o ocorrido, a partir de diligências iniciais realizadas no hospital onde a vítima deu entrada.
O suspeito, identificado como Simon Danilo Amoedo Pimentel, teria agredido Marcelly de forma violenta dentro do imóvel. Testemunhas e a apuração policial indicam que a vítima sofreu espancamento e asfixia antes de perder a vida.
Conforme relatado pela delegada Marília Campello, as circunstâncias do crime apontam para uma sequência de agressões físicas graves. A vítima teria sido atacada por Simon no interior da casa, sem que houvesse intervenção de terceiros no momento inicial.
Após a agressão, o suspeito teria tentado simular uma emergência médica. Para isso, ele teria acionado um veículo por meio de um aplicativo de transporte em nome de terceiros.
Segundo a delegada, com Marcelly desacordada, Simon a carregou até o carro. Questionado pelo motorista sobre a identidade da mulher, o suspeito teria afirmado que se tratava de sua esposa, alegando que ela estaria passando mal depois de ingerir medicamentos.
A conduta do suspeito continuou a levantar suspeitas diante de relatos dos investigadores. Ao chegar ao hospital, ele teria dito ao motorista que buscaria uma cadeira de rodas para facilitar o atendimento da mulher, para em seguida fugir do local, deixando a vítima desacordada no interior do veículo.
O corpo de Marcelly foi constatado como sem vida pelos profissionais de saúde que a receberam. Exames posteriores indicaram sinais de violência física compatíveis com espancamento e asfixia, conforme registrado pelas autoridades policiais.
O desaparecimento da mulher passou despercebido pela família por três dias. Somente após buscas e ausência de notícias, os familiares registraram um boletim de ocorrência pela sua ausência, sem saber que ela havia sido deixada no hospital já morta.
A investigação policial se concentrou na reconstituição dos fatos, cruzando informações do hospital, do boletim de ocorrência de desaparecimento e de testemunhas. Isso permitiu identificar e localizar o suspeito rapidamente.
Medidas protetivas concedidas anteriormente a Marcelly também fizeram parte das apurações. Relatos indicam que ela já havia solicitado proteção judicial contra o ex-companheiro em razão de atitudes agressivas e ciumentas, as quais, segundo a polícia, teriam sido descumpridas repetidamente.
Testemunhas relataram que o relacionamento entre a vítima e Simon durou cerca de um ano, tendo sido encerrado há aproximadamente dois meses antes do crime. Mesmo após a separação, o suspeito continuaria a perseguir a ex-namorada.
Tanto a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros quanto o delegado coordenador destacaram que casos de violência contra mulheres sob medidas protetivas exigem atenção contínua e fiscalização rigorosa para evitar escaladas letais.
Simon Danilo Amoedo Pimentel foi preso na mesma região onde ocorreu o crime, no bairro Cidade Nova. Durante o interrogatório, ele confirmou a autoria do feminicídio, embora alegue ter agido em legítima defesa, versão que ainda está sendo analisada pela Justiça.
Após a prisão, o suspeito foi colocado à disposição da Justiça e responderá formalmente pelo crime de feminicídio, uma tipificação penal que prevê pena elevada em razão da violência de gênero.
Autoridades locais informaram que continuam as investigações para compreender se houve premeditação ou agravantes adicionais, assim como a dinâmica exata das lesões que levaram ao óbito de Marcelly.
Especialistas em segurança pública ouvidos por jornalistas destacam que o uso de aplicativos de transporte em situações de emergência falsa é uma estratégia atípica, mas que representa uma tentativa de dissimular crime grave por parte de suspeitos.
Organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres reforçam que casos como esse evidenciam lacunas na proteção efetiva de vítimas de violência doméstica e a necessidade de sistemas de alerta mais eficazes.
O caso segue sob análise das autoridades competentes, com novas diligências sendo conduzidas pela DEHS. A expectativa é de que o inquérito seja concluído em breve e encaminhado ao Ministério Público para oferecimento de denúncia formal.
Até o momento não houve manifestação pública de advogados constituídos pelo suspeito ou de familiares da vítima, e as autoridades mantêm sigilo parcial sobre detalhes que possam interferir no andamento do processo judicial.

