Governo Lula divulga nota em apoio ao presidente do Irã que irá executar manifestantes ao vivo

A recente nota divulgada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apoio ao presidente do Irã provocou forte repercussão política e diplomática. O comunicado, ao defender o diálogo e a soberania iraniana, evitou condenar de forma direta o caráter autoritário do regime e a repressão violenta aos protestos que tomam o país.

Na manifestação oficial, o Palácio do Planalto afirmou que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”, reforçando a posição tradicional da diplomacia brasileira de não intervenção em assuntos internos de outras nações. O texto também defendeu o engajamento em um “diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.

O Ministério das Relações Exteriores declarou acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações no Irã. Segundo o Itamaraty, até o momento não há registro de brasileiros mortos ou feridos em meio aos confrontos, o que tem sido tratado como prioridade consular.

A postura adotada pelo governo brasileiro, no entanto, gerou críticas de setores que esperavam uma condenação mais explícita à repressão do regime dos aiatolás. Para esses críticos, o silêncio sobre violações de direitos humanos pode ser interpretado como conivência ou relativização da violência estatal.

De acordo com a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), ao menos 2 mil pessoas morreram durante os protestos no Irã. A organização, que atua a partir dos Estados Unidos e faz oposição ao regime iraniano, denuncia execuções, prisões arbitrárias e uso excessivo da força contra manifestantes.

O contraste entre a posição brasileira e a de outros países ficou ainda mais evidente após a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mais cedo, ele anunciou o cancelamento de qualquer diálogo com as autoridades iranianas enquanto, segundo suas palavras, “os assassinatos de manifestantes continuarem”.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump adotou um tom duro e direto. Ele afirmou que a “ajuda está a caminho” e incentivou a população iraniana a manter os protestos contra o regime, elevando ainda mais a tensão internacional em torno do tema.

“Patriotas iranianos, continuem protestando. Tomem o controle de suas instituições. Guardem os nomes dos assassinos e dos responsáveis pelos abusos. Eles pagarão um alto preço”, escreveu o presidente norte-americano, em uma mensagem que foi amplamente compartilhada e criticada por diplomatas de diferentes países.

Analistas de relações internacionais apontam que a divergência entre Brasil e Estados Unidos reflete visões distintas sobre política externa. Enquanto Washington adota uma postura mais confrontacional, Brasília aposta historicamente na mediação, no diálogo e na defesa da autodeterminação dos povos.

Ainda assim, especialistas ressaltam que o princípio da soberania nacional não exclui a possibilidade de condenação a violações graves de direitos humanos. Para esses analistas, o desafio da diplomacia brasileira é equilibrar seus valores constitucionais com interesses geopolíticos e alianças estratégicas.

No cenário interno, a nota do governo também alimentou o debate político. Parlamentares da oposição acusaram o Planalto de adotar dois pesos e duas medidas ao tratar protestos e repressões em diferentes países, dependendo do alinhamento ideológico dos governos envolvidos.

Enquanto isso, a situação no Irã segue instável, com protestos persistentes e denúncias de violência. A forma como a comunidade internacional — incluindo o Brasil — se posiciona diante desses acontecimentos pode ter impactos duradouros tanto na política externa quanto na imagem do país no cenário global.

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