Em meio ao cenário de devastação que atinge a Zona da Mata mineira, o governador Romeu Zema (NOVO) anunciou nesta sexta-feira (27) uma medida operacional imediata para acelerar a recuperação da cidade de Ubá. O governo estadual determinou o envio de frentes de trabalho compostas por detentos do sistema prisional mineiro para auxiliar na limpeza das vias públicas, que permanecem tomadas por toneladas de lama, entulhos e destroços após as enchentes históricas que castigaram o município nos últimos dias.
A iniciativa foca na desobstrução rápida de ruas e avenidas, etapa considerada essencial para o restabelecimento dos serviços básicos e para a circulação de veículos de emergência e suprimentos. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os detentos selecionados para a tarefa possuem autorização judicial para o trabalho externo e estão sendo equipados com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como botas e luvas, visando garantir a segurança sanitária diante do contato direto com resíduos orgânicos e químicos carregados pelas águas.
A utilização da mão de obra prisional em situações de calamidade pública é uma estratégia que busca, simultaneamente, otimizar os recursos do Estado e oferecer aos internos uma oportunidade de remição de pena pelo trabalho. O “e daí?” administrativo desta medida reside na urgência de Ubá, que enfrenta um rastro de destruição que inclui mortes confirmadas e centenas de desalojados. Com as máquinas da prefeitura operando no limite da capacidade, o reforço braçal torna-se um componente logístico crítico para que a cidade recupere sua funcionalidade mínima.
Romeu Zema ressaltou que a limpeza é apenas o estágio inicial de um plano de contingência mais amplo. A destruição da infraestrutura em Ubá, que inclui pontes colapsadas e asfalto arrancado pela força da correnteza, exigirá investimentos pesados em engenharia nos próximos meses. O governador afirmou que o Estado está em diálogo com a Defesa Civil Nacional para a liberação de verbas extraordinárias, visando não apenas reconstruir o que foi perdido, mas implementar obras de drenagem que suportem os novos padrões climáticos observados em 2026.
O impacto das chuvas em Ubá foi particularmente severo devido ao transbordamento de ribeirões que cortam o centro urbano. Muitas famílias perderam todos os seus bens em poucos minutos, e a visão de detentos trabalhando na limpeza gera reações diversas na comunidade local. Enquanto muitos moradores celebram qualquer ajuda que acelere a remoção do barro fétido de suas portas, outros discutem a segurança e a logística de manter equipes prisionais circulando em áreas de grande aglomeração e instabilidade emocional.
A Sejusp reforçou que as equipes são escoltadas por policiais penais e que o trabalho segue protocolos rígidos de vigilância. A participação desses homens na recuperação de Ubá serve também como um gesto de serviço à comunidade, algo que o governo estadual tem incentivado em diversas frentes de manutenção de bens públicos em Minas Gerais. A remição de um dia de pena para cada três dias trabalhados é o principal incentivo para que os detentos mantenham a produtividade mesmo sob condições climáticas ainda instáveis.
A reconstrução da infraestrutura de Ubá é vista como um teste para a agilidade da gestão estadual. Zema sabe que a recuperação da Zona da Mata será um dos grandes marcos de seu governo neste ano, dada a escala humana da tragédia. A lama acumulada nas calçadas de Ubá não representa apenas um problema sanitário, mas um obstáculo psicológico para uma população que tenta encontrar forças para recomeçar em meio ao luto pelas vítimas fatais registradas na última semana.
Especialistas em logística de desastres apontam que a limpeza manual, realizada pelos detentos, é fundamental para alcançar áreas onde as máquinas pesadas não conseguem manobrar sem causar danos às estruturas já fragilizadas. A remoção de entulhos orgânicos, como móveis destruídos e carcaças de animais, é a prioridade para evitar surtos de doenças como leptospirose, comuns em cenários de pós-enchente. A agilidade nesta etapa define se o município conseguirá evitar uma crise de saúde pública subsequente à climática.
Enquanto as frentes de trabalho avançam, a prefeitura de Ubá organiza centros de acolhimento para os desalojados. A solidariedade local tem sido o motor da sobrevivência, com doações de alimentos e roupas chegando de diversas partes do estado. A presença do governo estadual através da mão de obra prisional é lida pela administração municipal como um apoio político e operacional necessário, dado que Ubá é um polo regional importante que precisa retomar sua atividade econômica o quanto antes.
O plano de infraestrutura citado pelo governador deve incluir o reforço de contenção de encostas nos bairros periféricos de Ubá, onde o risco de novos deslizamentos permanece alto enquanto o solo estiver saturado. O uso de detentos em obras de menor complexidade, como a pintura e reparos em prédios públicos atingidos, também está no radar da Sejusp para as próximas semanas. A meta é que, até o final de março, os principais eixos viários da cidade estejam livres de detritos.
O luto pelas vidas perdidas na Zona da Mata ainda paira sobre o estado, mas o anúncio de Zema tenta imprimir uma narrativa de ação e ordem. Para o governo de Minas, o envio dos detentos simboliza uma gestão que utiliza todas as ferramentas disponíveis para enfrentar a crise. Para o cidadão de Ubá, o foco permanece na retirada da lama que insiste em lembrar a noite de terror vivida sob as águas, esperando que as promessas de reconstrução sólida não se percam quando o sol finalmente voltar a brilhar de forma constante.
Por fim, a operação em Ubá reafirma o papel do sistema prisional como um ativo de apoio civil em tempos de guerra contra os elementos naturais. A trajetória de recuperação da cidade será longa e exigirá mais do que apenas limpeza braçal, mas o início desta jornada com frentes de trabalho intensivas é o sinal que a população esperava para acreditar que não foi abandonada à própria sorte entre os escombros da maior chuva da década.

