Suzane von Richthofen voltou a ganhar os holofotes nesta semana após circular intensamente uma fotografia sua dentro de uma sala de aula universitária, na qual aparece sentada sozinha — fenômeno que reacendeu debates sobre sua reintegração social.
Nas redes sociais, a imagem causou comoção: vários usuários comentaram que “ninguém quer sentar perto dela”, sugerindo uma rejeição por parte dos colegas.
Segundo apuração da imprensa, as fotos foram tiradas nos primeiros dias de Suzane na Universidade São Francisco (USF), campus de Bragança Paulista (SP), onde ela ingressou no curso de Direito por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A repercussão ganhou força especialmente após o lançamento da série “Tremembé”, inspirada na sua trajetória, o que reacendeu o interesse do público por sua rotina acadêmica.
O roteirista da série, Ullisses Campbell, comentou sobre as imagens viralizadas e desmentiu a tese de exclusão social. Ele afirmou que a foto que circula mostra um momento de intervalo, quando os estudantes haviam saído da sala, e disse que Suzane escolheu permanecer no local.
Campbell também reforça que ela sempre foi bem recebida pelos outros alunos em todas as instituições nas quais estudou. Ele afirma que, apesar da aparente solidão na imagem, há fotos que mostram outros estudantes sentados perto dela.
A ex-detenta, condenada pelo assassinato de seus pais, cumpre atualmente o restante da pena em regime aberto.
De acordo com reportagens, Suzane mora em Águas de Lindóia (SP) com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e com o filho do casal.
Em paralelo à sua vida acadêmica, ela mantém um perfil nas redes sociais onde comercializa produtos artesanais, como chinelos personalizados.
Relatos de ex-professores reforçam a ambiguidade da imagem pública de Suzane. A promotora Eliana Passarelli, que a conheceu quando era aluna, disse que ela era “menina normal” e de “inteligência média”, mas ressalta que seu comportamento era calculado e “dissimulada”.
Historicamente, sua trajetória no ensino superior é marcada por interrupções: em 2002, ela estudava Direito na PUC-SP antes do crime, e fez outras tentativas de retomar a educação superior nas décadas seguintes.
Quando ingressou na USF, algumas reportagens apontaram que ela tentou não dar muita visibilidade a si mesma no início, para evitar ruídos midiáticos, embora tenha sido alvo de gravações e fotografias já no primeiro dia de aula.
Outros relatos sugerem que a figura de Suzane desperta tanto interesse quanto tensão entre os colegas. Um colunista do iG observou que ela cumprimenta algumas pessoas, mas passa boa parte do tempo mexendo no celular, evitando conversas prolongadas.
Além disso, há quem perceba nas redes uma mistura de curiosidade e desconforto: a imagem de mesas vazias ao redor dela gerou suposições sobre isolamento voluntário — ou involuntário.
Em contrapartida, a reaproximação de Suzane com o universo acadêmico também é vista como parte de um processo de ressocialização. Estudiosos de direito penal apontam que a possibilidade de retomar a educação formal pode ser relevante para a reconstrução de sua vida social e profissional.
Analistas midiáticos, no entanto, alertam para os riscos de sensacionalismo: a repercussão dessas fotos pode ser alimentada mais pelo fascínio público por sua história criminal do que por seu desempenho como estudante.
Também se observa que o episódio dramatiza a tensão entre escândalo e normalização: Suzane, figura de grande impacto na cultura popular brasileira, pode ser simultaneamente celebrada e rejeitada por seus pares.
Do ponto de vista institucional, a USF não emitiu posicionamento oficial recente sobre as polêmicas envolvendo sua aluna ilustre, mas seu ingresso e permanência demonstram que, formalmente, ela tem direito às mesmas oportunidades acadêmicas que qualquer estudante.
Para parte da sociedade, a imagem de Suzane sozinha na sala de aula serve como metáfora para a ambiguidade moral presente em sua trajetória: alguém que cometeu crime grave e, ao mesmo tempo, busca reinserção através da educação.
Já para outros, sua presença na faculdade é simbólica de uma negociação complexa entre justiça, tempo de pena e direito à reabilitação, evidenciando as tensões do sistema penal brasileiro em casos de grande repercussão.
Independentemente das interpretações, o episódio reforça que a figura de Suzane von Richthofen ainda exerce apelo público, especialmente quando sua vida cotidiana é cruzada com sua história criminosa.
Em síntese, as fotos de Suzane isolada na sala de aula reacenderam um debate sobre exclusão e acolhimento, entrelaçado a temas como culpa, perdão e possibilidade de recomeço — uma narrativa que, por sua própria natureza, tende a continuar provocando reações intensas na opinião pública.

