O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (9) que manteve diálogo com o economista e ex-ministro Paulo Guedes antes mesmo de tornar pública sua pré-candidatura à Presidência da República.
De acordo com Flávio, o contato com Guedes fez parte de um conjunto mais amplo de conversas com pessoas consideradas “altamente qualificadas”. O objetivo, segundo ele, seria formar uma equipe técnica capaz de atuar em eventual governo, caso a candidatura se confirme.
O senador declarou: “Eu conversei com o Paulo Guedes antes de haver esse anúncio do meu nome. Eu converso com pessoas do governo [Bolsonaro] com alguma frequência sempre, que são pessoas altamente qualificadas.”
Para Flávio, essa aproximação demonstra a intenção de dar continuidade ao que chama de “projeto” iniciado na gestão econômica anterior — mesmo sem garantir que Guedes assumiria uma função formal em seu eventual governo.
No mesmo comunicado, Flávio reforçou que pretende trabalhar com quem já teve experiência na administração passada — o que, segundo ele, facilitaria a retomada de políticas econômicas e asseguraria “confiança” para o país.
Embora o contato com Guedes tenha sido aberto ao público, o senador evitou antecipar nomes específicos para seu eventual governo. Ele justificou dizendo que ainda é cedo para definir quem fará parte da equipe técnica.
Além disso, Flávio enfatizou que a sua candidatura é “irreversível”. Ele reafirmou compromisso com a disputa e descartou a possibilidade de recuar — ainda que, nos últimos dias, tenha havido episódios de questionamento público sobre a solidez de sua postulação.
Segundo ele, há uma clara preocupação com o rumo da economia nacional. Flávio afirmou que o país não pode continuar sob um governo que, em sua avaliação, é “desgastado, analógico”, e que só pensa em “aumentar imposto”.
Em sua argumentação, o senador afirmou que um dos seus objetivos é garantir previsibilidade fiscal e retomar um plano econômico liberal, inspirado — mas sem depender — no legado de Paulo Guedes.
A iniciativa também parece buscar acalmar o mercado financeiro, que reagiu com apreensão ao anúncio de sua pré-candidatura. Analistas interpretam a menção repetida a Guedes como um esforço de reposicionamento: apresentar-se como uma opção de centro-direita liberal e compatível com expectativas de estabilidade.
Apesar desse esforço de comunicação política, há sinais de que o nome de Flávio ainda enfrenta resistências internas. Parte do partido ainda questiona a viabilidade da candidatura, e outros quadros continuam com ambições próprias para disputar a presidência.
Um dos colegas de legenda, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), declarou que manterá sua pré-candidatura, mesmo com o anúncio de Flávio. Caiado disse respeitar a decisão, mas não pretende desistir da disputa.
Esse ambiente de indefinição revela a complexidade do tabuleiro interno da direita e do chamado “centrão”: embora haja uma decisão formal de apoio a Flávio, nem todos os aliados parecem convencidos de que ele será o nome mais competitivo no próximo pleito.
No plano externo, o senador tenta transmitir confiança ao eleitorado e ao mercado financeiro. Ele afirma que pretende mostrar, com o tempo, que sua candidatura representa uma rota distinta do governo atual, com foco em estabilidade econômica e liberdades individuais.
Em recente declaração, Flávio argumentou que o legado de Guedes foi prejudicado pela pandemia e que agora é o momento de retomar uma agenda liberal com seriedade, sem depender da figura de Guedes exclusivamente.
Apesar da estratégia de reafirmar vínculos com o liberalismo econômico, analistas ressaltam que o problema para Flávio não é somente convencer o mercado, mas também conquistar eleitores fora da base tradicional da direita — algo que exigirá articulação e mensagem clara.
Em resumo, o anúncio público da conversa com Paulo Guedes representa, para Flávio Bolsonaro, um gesto de credibilidade e continuidade. Ele aposta que esse tipo de discurso, aliado a uma eventual equipe técnica experiente, pode reforçar sua legitimidade como pré-candidato.
Mas o cenário permanece incerto: nem todos no seu próprio campo acreditam que ele seja o nome ideal para o pleito de 2026. A disputa interna e as dúvidas sobre competitividade permanecem.
O desafio que Flávio encara não é apenas montar uma base de apoio, mas construir uma narrativa que una conservadorismo, liberalismo econômico e apelo eleitoral amplo — sem deixar de lidar com resistências dentro do eleitorado e dentro da própria coalizão política.
Cabe aos próximos meses mostrar se as conversas e articulações terão força suficiente para transformar a pré-candidatura em candidatura competitiva e se as promessas de retomada econômica e segurança política serão recebidas como válidas por eleitores e investidores.
A movimentação de Flávio Bolsonaro, ao procurar Paulo Guedes antes de tornar pública sua pré-candidatura, sinaliza a disposição de estruturar um projeto de governo com base técnica. Mas a trajetória ainda é longa, e sua viabilidade depende tanto de apoio interno quanto de aceitação externa — política e econômica.

