Flávio assume ‘herança ‘ nas redes sociais e lidera índices de presidenciáveis

A indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para representar o Partido Liberal na corrida presidencial de 2026 tem gerado movimentações notáveis no ambiente digital e na análise de desempenho político nas plataformas online. Dados recentes do Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP) — um ranking que avalia engajamento, alcance e reputação nas redes sociais e no conjunto do ambiente digital — mostra o nome de Flávio em posição de destaque, à frente de outros pré-candidatos, inclusive do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O relatório mais recente do IDP destaca que Flávio Bolsonaro assumiu a liderança do ranking já no mês de dezembro, logo após o anúncio formal de sua pré-candidatura à Presidência da República, em dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, o senador consolidou essa posição, marcando um aumento no indicador que combina engajamento com movimentação reputacional nas redes off-platform, ou seja, além de seus próprios perfis.

Segundo a análise, essa ascensão se deve em grande parte ao que o estudo caracteriza como “capital político” herdado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de o ex-mandatário estar detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e com suas contas em redes sociais bloqueadas, sua influência política continua a ressoar entre parcelas do eleitorado e em discussões online, incluindo a transferência de seguidores e interações para a atuação de seu filho.

O IDP mensura não só o número de seguidores e curtidas, mas também a reputação de cada pré-candidato em um ambiente mais amplo, que abrange meios de comunicação, opinião de influenciadores e menções em contextos fora do núcleo tradicional de apoiadores. Esse aspecto, segundo a consultoria Datrix, foi decisivo para o crescimento de Flávio nas posições do ranking.

Na comparação de dados de dezembro de 2025 com janeiro de 2026, o ranking mostrou Flávio Bolsonaro com uma pontuação superior a candidatos como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o presidente Lula, que caiu para posições inferiores no índice durante o primeiro mês do ano.

O desempenho de Flávio nas redes foi impulsionado não apenas pela pré-candidatura, mas também por sua presença em eventos políticos internacionais e pela repercussão de sua atuação em debates públicos nas plataformas online. Em particular, a cobertura de uma visita a Israel contribuiu para ampliar sua exposição fora do universo restrito de seguidores tradicionais.

O diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro, aponta que, com a entrada de temas externos no centro do debate público digital, a reputação de um candidato fora de suas próprias redes passou a exercer influência decisiva no desempenho geral de cada nome monitorado. Isso teria favorecido a movimentação de Flávio entre eleitores e usuários conectados em diferentes esferas políticas e geográficas.

Apesar da liderança de Flávio no IDP, outros levantamentos de opinião pública indicam um cenário competitivo em termos de intenção de voto. Pesquisas recentes de intenção de voto divulgadas por institutos como o Real Time Big Data mostram Lula à frente em cenários estimulados do primeiro turno, com percentuais mais altos em relação a Flávio Bolsonaro.

No cenário mais citado dessa pesquisa, Lula teria 39% das intenções de voto, seguido por Flávio com 30%. Em variações do mesmo levantamento, esses números oscilam levemente, mas mantêm Lula em vantagem na preferência direta dos eleitores.

Esses dados de intenção de voto, entretanto, não refletem diretamente a análise digital mensurada pelo IDP. Eles representam, sim, uma dimensão diferente da avaliação política, mais diretamente ligada à percepção eleitoral tradicional, em vez de engajamento nas redes.

Além disso, pesquisas publicadas recentemente também reiteram que o principal nome do PT segue à frente em diversos cenários testados, apesar de a preferência por Flávio Bolsonaro ter crescido em setores específicos do eleitorado desde o início da pré-candidatura.

Analistas políticos alertam que a liderança de Flávio no ranking digital pode revelar apenas uma faceta da dinâmica eleitoral de 2026, já que o desempenho nas redes sociais nem sempre se traduz diretamente em votos nas urnas. Elementos como debates públicos, cobertura da imprensa tradicional, desempenho em campanhas presenciais e a agenda política desempenharão papéis importantes na definição do resultado final.

Também é importante considerar que outros pré-candidatos, incluindo nomes de partidos de centro e outras alas da direita e da esquerda, continuam a disputar espaço na corrida ao Planalto, diversificando o cenário político nacional e ampliando a disputa além do embate principal entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O uso de métricas digitais para avaliar presidenciáveis é relativamente novo no contexto brasileiro e reflete mudanças na maneira como campanhas políticas são organizadas e analisadas. O engajamento online tornou-se um indicador relevante para medir mobilização e potencial de influência entre eleitores conectados.

Especialistas em comunicação política destacam que uma atuação consistente nas redes pode ajudar a consolidar a imagem de um candidato, gerar maior visibilidade e influenciar percepções públicas, mas alertam que a conversão desse alcance em votos efetivos ainda depende de múltiplos fatores externos ao ambiente digital.

No meio dessa conjuntura, Flávio Bolsonaro aparece como um nome que conseguiu capitalizar, pelo menos no universo digital medido pelo Índice Datrix, a herança política do pai para alcançar uma posição de destaque entre os presidenciáveis monitorados.

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