Fim do abvso? Deputado Kim atinge assinaturas para PEC que fixa IPVA em 1% e adota peso

A Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP) avança na Câmara e promete alterar profundamente a forma como o IPVA é calculado no Brasil. O texto fixa um teto nacional de 1% e substitui o valor de mercado pelo peso do veículo como critério de cobrança, medida que pode impactar milhões de motoristas e trazer repercussões econômicas relevantes.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, tradicionalmente calculado com base na Tabela Fipe, é alvo de críticas há anos por ser considerado oneroso e pouco justo. A iniciativa de Kataguiri busca corrigir distorções e tornar a cobrança mais proporcional ao impacto que cada veículo causa nas vias públicas.

A proposta estabelece que nenhum estado poderá aplicar alíquota superior a 1%. Atualmente, em locais como São Paulo e Rio de Janeiro, o percentual chega a 4%, o que representa uma diferença significativa para os contribuintes. A mudança, portanto, pode significar uma redução expressiva na carga tributária.

Outro ponto central é a adoção do peso como critério de cálculo. A lógica é que veículos mais pesados geram maior desgaste nas estradas e, portanto, devem contribuir mais. Carros populares e motocicletas, por serem leves, teriam uma redução considerável no imposto.

Motoristas de aplicativo e entregadores estão entre os principais beneficiados. Esses trabalhadores dependem diretamente de seus veículos para gerar renda e, com a diminuição do IPVA, teriam mais fôlego financeiro para manter suas atividades.

Para compensar a perda de arrecadação, a PEC prevê cortes em áreas como publicidade institucional e despesas do Legislativo. A medida também sugere revisão de incentivos fiscais considerados ineficientes e redução de emendas parlamentares.

Segundo o deputado, a aprovação da proposta pode ter impacto direto na economia. Ele estima que a inflação poderia cair em até 1,84%, ajudando o Banco Central a atingir suas metas sem necessidade de elevar os juros.

A tramitação da PEC já foi iniciada após a coleta das assinaturas necessárias. O texto agora será analisado pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação em plenário, onde precisará de apoio expressivo para ser aprovado.

Especialistas avaliam que a mudança pode trazer maior previsibilidade para os contribuintes, já que o valor do imposto não dependeria mais das oscilações de mercado. Isso reduziria a insegurança de quem possui veículos que se valorizam ou desvalorizam rapidamente.

Por outro lado, há quem questione se o critério do peso é suficiente para refletir o impacto ambiental e urbano dos veículos. Carros mais pesados podem poluir menos que modelos leves, dependendo da tecnologia utilizada.

Estados também demonstram preocupação com a queda de arrecadação. O IPVA é uma das principais fontes de receita para investimentos em infraestrutura e serviços públicos, e a redução pode exigir ajustes orçamentários.

A proposta de limitar gastos com publicidade institucional é vista como uma forma de equilibrar as contas, mas enfrenta resistência de setores que defendem a importância da comunicação governamental.

Kim Kataguiri argumenta que a medida é necessária para aliviar o bolso da população e estimular a economia. Para ele, o atual modelo penaliza trabalhadores e famílias que dependem de veículos populares.

A iniciativa segue exemplos de países como Estados Unidos e Japão, onde critérios alternativos ao valor de mercado já são utilizados para calcular impostos sobre veículos.

O debate promete ser intenso no Congresso, já que envolve interesses de estados, municípios e diferentes setores da sociedade. A aprovação de uma PEC exige quórum qualificado, o que torna o processo mais complexo.

Enquanto isso, motoristas aguardam com expectativa. Muitos veem na proposta uma oportunidade de reduzir custos anuais e equilibrar o orçamento doméstico.

A discussão também abre espaço para reflexões sobre justiça tributária. A ideia de vincular o imposto ao peso pode ser considerada mais equitativa, mas ainda há pontos a serem detalhados.

Se aprovada, a PEC representará uma das maiores mudanças na política tributária sobre veículos nas últimas décadas. O impacto será sentido tanto no bolso dos cidadãos quanto nas contas públicas.

O texto ainda pode sofrer alterações durante a tramitação, mas já mobiliza parlamentares e especialistas em torno de seus possíveis efeitos.

A proposta de Kataguiri, portanto, inaugura um novo capítulo no debate sobre o IPVA, colocando em pauta a necessidade de modernizar o sistema e torná-lo mais justo e eficiente.

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