FIM DE UMA ERA! Fernanda Montenegro anunciou sua aposentadoria aos 96 anos, encerrando uma carreira de 80 anos no cinema nacional

O que acontece quando uma atriz maior que o próprio cinema decide sair de cena?

Aos 96 anos, Fernanda Montenegro anunciou sua aposentadoria das telas. A notícia, embora esperada pela lógica do tempo, soa quase impossível para quem se acostumou a vê-la atravessar gerações como se o envelhecimento fosse apenas mais um papel.

Não se trata apenas do fim de uma carreira. Trata-se do encerramento de um ciclo cultural.

Fernanda não foi só atriz. Ela foi linguagem. Foi a tradução de conflitos íntimos, dilemas sociais e silêncios brasileiros que poucos conseguiram articular com tamanha precisão.

Em mais de 80 anos de trajetória artística, ela atravessou rádio, teatro, televisão e cinema sem jamais parecer deslocada. Adaptou-se não por concessão, mas por inteligência estética.

Seu cinema nunca buscou grandiloquência. Buscou verdade. E verdade, quando bem dita, incomoda mais do que qualquer espetáculo.

Há algo de profundamente simbólico em sua despedida ocorrer em vida, com lucidez e escolha própria. Num país que costuma consumir seus ícones até o esgotamento, Fernanda escolhe o contrário: o recolhimento consciente.

Isso também é um gesto político.

Ao se retirar, ela lembra que o artista não deve nada ao público além da honestidade de sua arte. Permanecer não é obrigação. Saber sair é maturidade.

Fernanda encerra a carreira no cinema, mas não se transforma em passado. Seu trabalho já está fora da cronologia comum. Está no campo do permanente.

Cada personagem que interpretou continua operando no imaginário coletivo: mães duras, mulheres feridas, figuras éticas em mundos corroídos.

Ela nunca pediu aplauso. Construiu respeito.

Sua aposentadoria revela uma lacuna difícil de nomear: não é apenas a ausência de uma atriz, é a rarefação de um tipo de rigor artístico que não se fabrica por algoritmo, nem por tendência.

Num tempo de performances aceleradas, Fernanda sempre trabalhou com pausa. Com escuta. Com densidade.

Talvez seja isso que mais falte hoje.

Ao anunciar sua saída, ela não encerra uma história. Ela a sela. Como quem fecha um livro sabendo que ele continuará sendo lido.

O cinema brasileiro perde uma presença ativa. Mas ganha, definitivamente, um pilar.

E fica a pergunta que nenhuma despedida responde completamente: estamos preparados para sustentar o legado que ela deixa — ou apenas para saudá-lo com nostalgia?

Fernanda Montenegro sai de cena. Mas a cena, daqui para frente, terá sempre a medida exata de sua ausência.

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