A rotina de Weberton, 32 anos, é marcada por dedicação integral e desafios constantes. Ele é o único responsável pelos cuidados da mãe, dona Maria, de 63 anos, diagnosticada com Alzheimer. A história dos dois, porém, envolve também superação e reconciliação familiar.
Durante quase dez anos, mãe e filho permaneceram distantes. O afastamento ocorreu após Weberton reunir coragem para assumir sua sexualidade, decisão que impactou profundamente a dinâmica familiar à época.
O tempo, no entanto, reconfigurou prioridades. Em 2021, dona Maria decidiu visitá-lo. A visita, que seria temporária, transformou-se em mudança definitiva. Ela permaneceu na casa do filho e não retornou mais para sua antiga residência.
Desde então, Weberton assumiu sozinho todas as responsabilidades relacionadas à saúde e ao bem-estar da mãe. Consultas médicas, administração de medicamentos, alimentação, higiene e acompanhamento em terapias passaram a fazer parte de sua rotina diária.
Nos últimos meses, o quadro clínico de dona Maria apresentou piora significativa. Um episódio convulsivo acelerou a progressão do Alzheimer, agravando sintomas e reduzindo ainda mais sua autonomia.
Atualmente, ela já não interage como antes. A comunicação tornou-se limitada, com fala muitas vezes incompreensível, o que dificulta ainda mais o convívio e o acompanhamento das necessidades básicas.
As limitações motoras também se intensificaram. Dona Maria enfrenta grande dificuldade para caminhar e necessita de apoio constante para se locomover dentro de casa.
Além disso, surgiram complicações relacionadas à deglutição. A dificuldade para engolir exige cuidados redobrados na alimentação, com adaptações na consistência dos alimentos para evitar riscos.
Tarefas cotidianas como tomar banho, vestir-se e se alimentar deixaram de ser realizadas de forma independente. A perda de autonomia é um dos estágios mais delicados da doença.
Mesmo com ajustes na medicação prescrita, o estado de saúde permanece instável. O controle dos sintomas exige monitoramento contínuo e visitas frequentes a profissionais especializados.
A sobrecarga emocional e física tem sido um dos principais desafios enfrentados por Weberton. Cuidar de um paciente com Alzheimer em estágio avançado demanda disponibilidade integral e preparo constante.
Sem rede de apoio familiar estruturada, ele se vê diante de uma rotina exaustiva. As noites mal dormidas e a vigilância permanente fazem parte de seu dia a dia.
Do ponto de vista financeiro, a situação também é delicada. Mãe e filho sobrevivem exclusivamente com o valor de um salário mínimo, proveniente da aposentadoria de dona Maria.
Os recursos disponíveis mal cobrem despesas básicas como alimentação, medicamentos e contas domésticas. Custos adicionais com transporte e terapias tornam o orçamento ainda mais apertado.
As terapias, segundo relato de Weberton, têm proporcionado algum alívio e estabilidade à mãe. No entanto, a continuidade do tratamento depende de recursos que hoje são limitados.
A necessidade de transporte adequado é outro ponto crítico. Deslocamentos para consultas e exames exigem estrutura que nem sempre está disponível, especialmente diante das restrições financeiras.
Especialistas apontam que o cuidado domiciliar de pacientes com Alzheimer requer suporte multidisciplinar, incluindo acompanhamento médico, fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico aos cuidadores.
No caso de Weberton, além das demandas práticas, existe o componente emocional da reconciliação. O período de afastamento ficou no passado, substituído por uma convivência marcada por responsabilidade e afeto.
Ele relata que, apesar das dificuldades, permanece firme na decisão de cuidar da mãe. Para ele, o momento atual representa também uma oportunidade de reconstrução de laços.
A história de Weberton e dona Maria evidencia os desafios enfrentados por famílias que lidam com o avanço do Alzheimer no Brasil, destacando a importância de políticas públicas, suporte social e acesso a tratamentos contínuos para garantir dignidade aos pacientes e seus cuidadores.

