Um casamento pode ser apenas um ritual privado ou pode se transformar em um gesto público. A união de Lara Silva, filha de Faustão, e do apresentador Julinho Casares escolheu o segundo caminho.
No último sábado (20), em São Paulo, o casal celebrou não só o amor, mas também uma causa.
Em vez de presentes luxuosos, pediram doações de ração para cães e gatos. A decisão parece simples, mas é carregada de significado político e cultural.
Num país em que festas de casamento frequentemente competem em ostentação, a escolha pelo essencial — alimento para animais abandonados — soa como contraponto.
Julinho, já conhecido por sua atuação em defesa dos animais, e Lara, que abraçou a causa, transformaram a cerimônia em palco de ativismo discreto, mas potente.
Não foi acaso incluir os bichos na celebração. Um cachorro, escolhido para levar as alianças, sintetizou o espírito do evento: a fusão entre afeto humano e responsabilidade com outras vidas.
É curioso notar como casamentos, tradicionalmente usados para reforçar status social, podem agora servir de vitrine para valores.
Há nisso uma mudança de paradigma. A festa deixou de ser apenas sobre os noivos; tornou-se também sobre a mensagem que desejam transmitir ao mundo.
No Brasil, estima-se que haja mais de 30 milhões de animais abandonados. Cada saco de ração doado é um ato de resistência contra essa estatística brutal.
Nesse sentido, Lara e Julinho fizeram algo que vai além do gesto simbólico: converteram um momento de celebração privada em recurso de mobilização coletiva.
É legítimo questionar se gestos como esse têm efeito prático relevante ou se se limitam ao campo da performance social. Mas, ainda que parcial, a ação alimentará animais que hoje dependem de doações para sobreviver.
A presença de Faustão, conduzindo a filha até o altar, adicionou camadas de afeto e visibilidade ao evento. Um ícone da TV, que há décadas pauta conversas nacionais, agora testemunhou um casamento que pauta também uma causa.
O evento traz à tona uma questão maior: como elites sociais e midiáticas escolhem se posicionar diante de problemas públicos. Alguns optam pelo silêncio. Outros, por pequenas revoluções simbólicas.
A diferença está em compreender que símbolos importam. Um cachorro levando alianças ao altar comunica mais do que mil discursos sobre proteção animal.
Casamentos sempre foram rituais de continuidade: perpetuar tradições, selar alianças familiares. Aqui, porém, houve ruptura sutil — a tradição serviu de veículo para um novo tipo de narrativa.
É improvável que todos os casamentos de celebridades passem a seguir esse caminho. Mas o gesto de Lara e Julinho abre espaço para uma reflexão incômoda: para que serve uma festa, se não para dizer algo sobre quem somos?
No fim, talvez a mensagem seja simples e poderosa. O amor não se mede apenas pelo que se dá ao outro, mas pelo que se compartilha com o mundo.
E se cada união, pequena ou grandiosa, trouxesse consigo um gesto concreto de solidariedade, a celebração deixaria de terminar no altar e começaria, de fato, nas ruas.
Porque o que resta de um casamento, além das fotos, são os impactos invisíveis que ele gera. E, neste caso, alguns milhares de cães e gatos terão uma resposta imediata: comida no prato.

