O surgimento e a viralização dos vídeos de “Frank”, o suposto ex-integrante do PCC, acusando o governo Lula de ter o “apoio de facções”, não é uma revelação factual, mas um fenômeno de desinformação estratégica que explora a credibilidade das redes sociais.
O Capital da Desconfiança e a Fonte Controvertida
“Frank” utiliza seu passado criminoso alegado como seu principal ativo: o capital da desconfiança. Ele se apresenta como um insider, alguém que detém a “verdade” por ter estado dentro do sistema.
Essa origem controversa torna seu testemunho irresistível para o consumo de internet, especialmente para audiências que já desconfiam das instituições e do governo. O conteúdo, mesmo sem provas, encontra um terreno fértil no ceticismo popular.
A alegação de que PCC e Comando Vermelho estariam se mobilizando contra operações policiais é uma narrativa poderosa que liga a alta política ao crime organizado, um dos eixos mais sensíveis da polarização.
A Desinformação como Arma Política
A acusação de que o governo Lula estaria “contando com o apoio de facções” é, no atual contexto político, uma arma de desinformação altamente inflamável.
O objetivo não é provar a verdade, mas semear a dúvida e a indignação, corroendo a legitimidade do governo junto a setores da segurança pública e da sociedade. A ausência de provas é irrelevante para a viralização do conteúdo.
A alegação de que suas publicações anteriores foram removidas reforça a narrativa de censura e de “verdade inconveniente”, um recurso clássico de quem busca validar a própria mensagem contra o establishment das plataformas.
O Vazio Factual e a Responsabilidade
A análise cética deve enfatizar o vazio factual da notícia: as declarações não foram confirmadas por autoridades, e não há provas que sustentem as acusações.
O papel da imprensa, ao cobrir essa história, é o de contextualizar a origem e a intenção das declarações de “Frank” – um homem que, por sua própria descrição, tem um histórico de ligações com o crime, o que coloca sua credibilidade em cheque.
A expansão da desinformação no Brasil frequentemente usa ex-integrantes de grupos criminosos ou de serviços de inteligência como fontes não-verificáveis para lançar narrativas políticas destrutivas.
A história de “Frank” é um estudo de caso sobre como a polarização política abriu espaço para a validação de fontes não-confiáveis, onde a motivação política supera a necessidade de verdade.

